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De Repente Já Nos...40!!!

O Lado B da Vida

De Repente Já Nos...40!!!

O Lado B da Vida

Ontem e Hoje - Do Casar

O meus pais fazem hoje anos de casados, estão quase nos 50. 

 

Quando telefonei à minha mãe e lhe dei os parabéns ela disse:

 

"Estive a fazer contas e a tua avó só tinha mais um ano do que tu quando me casei" 

 

E é isto...

 

Não sei se já vos contei que a maior parte dos meus amigos mais antigos nunca casou, juntou, nem teve filhos.

Por isso, enquanto estou rodeada de quarentões ainda a pensar se um dia irão casar e ter filhos, a minha avó com 44 já estava a casar a filha mais velha e estava a um ano de ser avó.

 

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Ainda Lá Chego

Estava de pé, sem nada mexer senão os dedos, quando de repente senti algo a escorregar pelas minhas costas.

 

Que estranho. Poderá ser? Sim, estou a suar. O calor não é assim tanto mas suor escorre-me pelas costas. Algo pouco habitual em mim.

 

Foram preciso 43 anos para começar a escorrer suor por concentração? Isto existe sequer? Muito provavelmente, não estava calor que justificasse e praticamente nem movimento existia.

 

Era a segunda aula e ali estava eu a dar tudo por tudo, concentrada a ver se conseguia apanhar o jeito às castanholas.

 

A prof ao ver o nosso ar de frustração mostrou-nos um vídeo para nos inspirar. Afinal não foi com duas aulas que aquela senhora frente a uma orquestra impressionante aprendeu a tocar assim.

 

Fazendo contas, quando tiver a idade dela poderei vir a dizer que já toco castanholas há 30 anos.

 

Afinal aos 40 parece que ainda vamos a tempo de descobrir talentos ou pelo menos apanhar o jeitinho (nem que seja só o jeitinho, assim, como boa portuguesa).

 

Nem tinha noção que existiam estas dinamicas nas castanholas. Pianissimos e fortissimos. Isto é um novo mundo. Olé.

 

 

 

 

Piloto Automático

Isto de já estar nos 40 faz com que episódios de piloto automático sejam mais frequentes por já termos realizado certas tarefas milhares de vezes ou então simplesmente começamos a ter pausas cerebrais.

 

Mas isto pode ter as suas vantagens. Já me tem acontecido ir fazer a cama ou lavar a loiça contrariada e chegar ao quarto ou à cozinha e ficar super feliz por ver a cama feita ou a loiça lavada.

 

Sim, fui eu que realizei essas tarefas mas como entretanto esqueci, sabem-me como se tivessem sido feitas por artes mágicas.

 

Como dizia a outra na sua campanha: Eu sou a Ana mas podem-me chamar de Dory

 

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Conversas de Centro de Dia

Esta expressão, "Conversas de Centro de Dia", surgiu numa noite em que eu e duas colegas da dança, que entretanto já se tornaram amigas, a D. de 50 anos e a S. de 42, estávamos num café e não dizíamos coisa com coisa. 

Quer dizer, nós dizíamos coisas normais mas por alguma razão nessa noite tudo se tornava numa conversa alucinada devido a mal entendidos.

 

Exemplo:

 

Eu - Se te quiseres juntar a nós já combinamos, no dia de Santo António, ir jantar ao restaurante ao pé da estação.

 

S - Na Quinta?

 

Eu - Não, não é na 5º. O dia de Santo António calha a uma 2ª este ano.

 

S., acena com a cabeça a concordar mas não diz mais nada. Só mais tarde quando voltámos a falar no restaurante é que ela se lembra de dizer que: A Quinta, era o nome do restaurante e eu como não sabia pensei que ela se estava a referir a um dia de semana.

 

Daria outros exemplos porque, por alguma razão estranha, a noite foi toda assim. Claro que já quase rebolávamos a rir, sobretudo quando uma delas, já não me lembro quem, disse que já parecia que estávamos num centro de dia a ter conversas completamente moucas. 

A partir daqui esta expressão entrou no nosso vocabulário.

 

Na última sexta, a D. telefona-me e pergunta-me se não quero ir a uma feira num palácio. Eu ao pensar que ela estava a falar da Festa do Livro no Palácio de Belém digo que devia ser giro. Mas ela diz que não, era noutro sítio, uma feira onde se iam fazer rastreios e outras ações de saúde, ao que eu respondo: Hummmmm, não.

 

Nessa noite quando estava quase a adormecer de repente começo-me a rir descontroladamente a pensar que aquilo sim, era um convite à "Centro de Dia".

 

No dia seguinte telefono à D. a perguntar se ela achava normal convidar-me para passarmos uma tarde enfiadas num sítio à procura de doenças em vez de irmos a uma prova de vinhos ou algo do género e ela desata-se a rir também.

 

Ainda ontem quando a encontrei, a D. veio com a conversa que realmente não tinha sido nada normal convidar-me para irmos fazer análises em vez de algo divertido.

 

E é assim, os 40 estão a ficar estranhos. 

Os 40 E os Grupos

Se até aos 30 anos é fácil andar em bando, aos 40 a coisa torna-se mais difícil.

 

Adorava organizar jantares cá em casa mas hoje em dia, não sei se por preguiça ou se por falta de paciência para certos cenários, a vontade foi-se.

 

Ora veja-se. Organizei alguns jantares cá em casa até que...

 

um amigo engraçou com uma amiga que acabou por não lhe dar muito troco. Ela só queria mais um amigo, ele queria mais.

 

Depois tinha amigos que conheci a nível profissional que se incompatibilizaram com outros colegas com quem eu também me dava bem.

 

E para concluir, a partir dos 30 as personalidades tornam-me também mais fortes e intolerantes e certos amigos, ao não gostarem do feitio de outros amigos, já não estão para fazer fretes.

 

Resultado, na casa dos 30 comecei a ouvir coisas que mais pareciam saídos da boca de adolescentes: "Se o não sei quantos for ao jantar eu não vou".

 

Resultado, fartei-me de grupos. Hoje opto por sair individualmente com certas pessoas por um lado e reunir-me com duas ou três pessoas que ao menos se toleram, por outro.

 

Perto de fazer anos, já decidi que vou repartir o dia em 3 para não estar com stresses e ter que me esforçar para que haja um mínimo de união.

 

Isto só aconteceu comigo, ou com a idade também começaram a ter de "gerir" amizades?

Coisas Que Me Dizem #7

(Este episódio passou-se há poucas semanas e já pus muita gente a rir com ele. 

 

A minha prima que sabe da existência deste blog e acha que a minha vida é uma comédia de nonsense disse: "Tens que contar isso no blog", ao que eu respondi: "Não sei C., sabes, é um assunto que pode ser delicado para algumas pessoas e posso ser mal interpretada".

 

Mas pronto, aqui vai. Obviamente que pessoas portadoras de deficiência têm direito às suas opiniões e sentimentos como qualquer pessoa não portadora de deficiência mas...sendo eu mulher também tenho direito à minha sensibilidade feminina.

 

Depois desta introdução para ver se não me batem muito devido à conclusão, aqui vai o episódio.

 

Há alguns meses voltei ao teatro,onde tenho um colega com trissonomia 21. Numa destas semanas ficamos juntos numa improvisação a fazer de casal.

 

Fomos para um canto da sala preparar o exercício, combinamos o que iamos fazer, começamos a falar de outras coisas e ele volta-se para mim e diz:

 

Colega: Olha, posso ser sincero contigo?

 

Eu: Claro que sim.

 

Colega (apontando para uma colega na casa dos 20 que estava na outra ponta da sala): É que eu preferia ter ficado com ela a fazer a improvisação. É que ela é mais magra e mais gira do que tu. Já viste bem aquelas curvas?

 

Eu:  (a pensar: ele não me disse isto, pois não? )

 

Lamento mas no momento, o meu orgulho feminino pensou: "Porra, estou lixada, se já nem um homem com Síndrome de Down me quer (e era só a fingir) e prefere uma de 20, nunca na vida me vou casar. Isto só pode ser uma mensagem do universo. A minha capacidade de atração bateu no fundo, a minha vida amorosa terminou oficialmente".

 

 

É Uma Questão de Postura

Sim, vou falar outra vez do Salvador Sobral mas na verdade não vou falar do Salvador Sobral, vou falar de mim.

 

De vez enquanto a minha mente começa a analisar coisas estranhas e dei comigo a pensar mas afinal porque raio é que simpatizo com o Salvador Sobral e cheguei à conclusão que é por termos uma postura muito semelhante na maneira de ser.

 

Já algumas pessoas me vierem dizer que antes de me conhecerem bem não gostavam de mim. E isto porquê? Porque achavam que eu transmitia um ar convencido e arrogante.

 

Também a Roberta Medina há 8 anos, antes de dizer ao Salvador que ele tinha entrado para os Ídolos atirou-lhe à cara que ele era arrogante.

 

Mas na realidade não somos nada arrogantes, temos é a postura do "Está tudo bem" (claro que não o conheço bem para afirmar que ele pensa o mesmo mas acho que sim).

 

Eu tenho mesmo a postura do "está tudo bem", se gostas de mim gostas, se não gostas tenho pena, se me querem aqui ok, se não me querem não há problema é porque deve haver por aí outro sítio onde me queiram realmente. 

 

Não é preciso decotes, mostrar a perna, sorrisos amarelos, conversa fiada e grandes produções. É o chegar, tentar dar o meu melhor e se deu, deu, se não deu, é porque não era para ser.

 

Só agora aos 40 é que percebi que realmente sou assim. Com a idade dele ainda tentava que as pessoas gostassem de mim e fazia tudo para as agradar mas com o passar do tempo acabei mesmo por assumir, e desculpem-me a expressão mas acho que é mesmo a certa, o ar do: "Estou-me a cagar".

É que a prestação dele foi mesmo: "Estou-me a cagar". Não vou vestido de Armani, o meu olhar não vai fazer amor com a câmara, vou simplesmente dar o meu melhor. Não interessa se estou em Kiev ou na Mouraria, vou dar aquilo que tenho para dar, seja a cantar na Eurovisão ou no bar da esquina.

 

Não é ser convencida, até porque tenho pouca auto-confiança, é mesmo gostar de mim própria (já aqui expliquei várias vezes que tenho esta idiossincrasia de não ter auto-confiança mas ter uma boa auto-estima) e perceber cada vez mais que se alguma coisa não dá certo é porque não era para ser e o de já só querer na minha vida pessoas que gostem de mim assim como sou.

 

Acho que ele assume na casa dos 20 aquilo que eu demorei 40 anos a perceber.

À hora do Lanche - Há Bailarinas e Há Outras

Chega-se áquela altura da vida em que o metabolismo já não é mais o mesmo e nos apercebemos que será melhor começar a ter (ainda) um pouco mais de atenção ao que se come, se não daqui a pouco chegamos a um ponto em que é mais difícil o regresso a um peso normal.

 

Com isto em mente e também porque comecei a sentir que com menos peso vou aproveitar melhor a dança, resolvi diminuir a quantidade de alimentos ingeridos e ter atenção à tendência de "picar" fora das refeições.

 

Entrando num café perto da escola de dança à hora do lanche para beber um sumo natural de morango e comer um "bolo" salgado de legumes, vejo uma das professoras de dança a entrar. Fico logo com a curiosidade alerta. Sendo ela moça na casa dos vinte e muitos e com corpo de bailarina fiquei desejosa de ver o que ela comia.

 

E o que foi que ela pediu? Uma água com gás. E ali ficou a bebericar a sua água, durante longos minutos.

 

E eu pensei: Lanchar uma água com gás?! Nunca vou conseguir igualar isto .

 

Como é que esta gente consegue sobreviver? Se calhar não há volta a dar. Sou mesmo uma mulher de "alimento", sem estômago de bailarina .

Outras Noites

Sexta à noite. Santos. 23h20. Saída de um jantar de aniversário. A correr para apanhar o comboio. Chuva, frio. O pensamento no conforto da cama e dos gatos.

 

Por debaixo do guarda-chuva, é preciso desviar dos miúdos que enchem as ruas.

 

Os pensamentos vagueiam até outros tempos, quando tinha a idade deles.

 

Frequentámos a 24 de Julho, as  Docas, Santos, o Bairro Alto. Íamos mudando de sítio conforme as modas.

 

Turma de teatro, colegas da universidade, amigos, as primas das borgas, a malta do verão, os colegas do primeiro emprego. Havia sempre alguém com quem sair em bando.

 

As primeiras saídas, as borboletas na barriga dos primeiros amores, as confissões e os risos até às tantas.

 

Jonnhy Guitar, Charlie Shot, Vacas Loucas, Arroz Doce, Mezcal, Apollo XIII, Marão eram alguns dos bares de eleição entre tantos outros que já esqueci. Alguns eram escolhidos por nos darem pipocas e amendoins à borla.

 

Bebiamos Cubas Libres no início, para experimentar aquela nova liberdade. Depois passámos para as sangrias, shots, caipirinhas, vodkas de sabores, as bebidas míticas dos anos 90, Gold Strike, Pisang Ambon. E os Pontapés na Cona e shots de Orgasmo que pedíamos só para os risos tontos.

 

As primeiras bebedeiras que também foram as últimas porque aprendemos à custa das consequências.

 

Comiamos em tascas baratas. Bifinhos com cogumelos ou bacalhau com natas eram sempre as opções de jantares de grupo.

 

As rosas vendidas pelos indianos vinham parar às nossas mãos depois dos rapazes as regatearem.

 

As ruas eram nossas, ficar sentados nos passeios era tão natural como estar nos sofás de casa.

 

Tínhamos a vida e os sonhos todos pela frente. Nada estava planeado porque tínhamos confiança que tudo aconteceria naturalmente.

 

Depois corríamos para apanhar o último comboio que na altura era só às 2h30 ou aguentávamos até ao primeiro da manhã.

 

Sexta à noite, de volta ao presente, passo pelos miúdos. Não sei se tento encontrar ecos do meu antigo eu no meio deles, se acho que eles vieram ocupar as ruas que antes eram minhas ou se apenas me fazem sentir a nostalgia de uma vida passada.

 

Está chuva, frio e o comboio não tarda. Os meus bandos já se dispersaram pela vida. E eu agora só quero ir para casa.

 

Da Dança E Da Capacidade de Se Entregar

Com muitos intervalos lá pelo meio, já devo ter praticado dança durante uns 15 anos bem contados.

 

Durante este tempo tenho dançado quase sempre modalidades que se praticam de forma individual.

 

Há 10 anos fiz uma incursão pelo Tango que só durou 3 aulas e vi o quão difícil era dançar a par, porque como eu já desconfiava sabia, não sou mulher para me deixar conduzir. O par puxava-me para um lado mas eu queria ir para o outro, não resultava. Como o prof era um argentino de sangue quente, aquilo acabava com ele bastante mal disposto com o meu desempenho e comigo bastante frustrada.

 

Este ano lectivo voltei à dança a par. E qual não foi o meu espanto quando meti conversa com colegas minhas e percebi que se queixavam do mesmo.

Afinal o problema não é só meu. Aquelas com quem falei também me confessaram que têm problemas em deixar ir pois também querem controlar tudo.

 

Sempre quis ser bastante controladora da minha vida e defensora das minhas ideias e ideais. Isto aliado às "chapadas" que levei sempre que dei confiança a mais e resolvi entregar-me aos outros ou mesmo à vida, levou a que me tornasse numa pessoa bastante defensiva e fechada, com poucas características para dançar a par e deixar-me levar por desconhecidos.

 

Desta vez não desisti e agora que as coisas começam a aquecer, ou seja, a dança começa a complicar é que as minhas "fragilidades" se começam a notar. O grande problema é relaxar ao ponto de me deixar ir.

 

Mas no meio da última aula com a complicação dos movimentos, com os incentivos de quem não desistiu de mim, com as constantes indicações de "relaxa", que remédio tive se não abandonar-me. E por segundos, porque quando troquei de par a magia esfumou-se e acordei, finalmente senti e percebi a simplicidade e a beleza do "deixa andar", neste caso do "deixa dançar".

 

É. A Dança é como a vida. Às vezes é preciso voltar a confiar, abandonar, e consentir ser novamente guiada.

 

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