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De Repente Já Nos...40!!!

O Lado B da Vida

De Repente Já Nos...40!!!

O Lado B da Vida

22 Dias Para O Natal - Assistir À Abertura das Iluminações De Lisboa - Feito

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Ah que giras e animadas e tudo tão luminoso e mais...

 

Fomos lanchar à Padaria do Bairro, depois fomos para a rua assistir ao momento em que acenderam as iluminações. Depois a minha amiga que mora na Baixa, habituada ao ambiente, para se desviar das pessoas que entupiam os passeios atirou-se para a estrada, depois as minhas sobrinhas, não habituadas a andarem nesta confusão foram atrás dela, depois eu a prever um atropelamento fui atrás das três a apressar o andamento enquanto via os carros a virem de encontro a nós, depois consegui que elas se despachassem mas fiquei eu entre um carro estacionado e um taxista que atirou praticamente o carro de encontro a mim enquanto gritava foda-se (o taxista é que gritou, não fui eu obviamente que só me preocupei em desviar).

 

Depois desci a rua perseguida por uma janada que queria dinheiro e que acabou por me chamar estúpida aos gritos por eu não lhe dar, enquanto a minha sobrinha-afilhada se agarrava a mim a gritar para fugirmos, com medo que a senhora me batesse e eu a manter a calma do costume.

 

Depois estava a tirar fotos descansada quando a minha sobrinha gritou de novo, desta vez porque um gajo qualquer ao ver o único lugar disponível na Baixa, estava a arrumar o carro como se eu não estivesse ali parada, especada, a tirar fotos sem o ver e se a miúda não grita naquele momento possivelmente tinha sido atropelada.

 

Depois ficamos maravilhadas com a luzes todas, tirámos montes de fotos, demos um passeio pelo mercado de Natal do Rossio, vimos umas miúdas africanas a dançar que mereceram o dinheiro que a janada não levou, comemos as primeiras castanhas do ano assadas na rua e fomos para casa felizes. E conseguimos sobreviver.

No 15

Caros turistas dos eléctricos, andar nestes amarelinhos, "pontos turísticos" de Lisboa nada tem a ver com a má experiência que teimam em passar.

 

Esqueçam o 28.

Esqueçam as horas à espera enquanto torram ao sol.

Esqueçam aqueles que vão passando cheios sem lugar para mais um.

Esqueçam a sensação de ser sardinha em lata.

Esqueçam a sensação de leveza pelo suor libertado e pelas carteiras roubadas.

 

Esperem o anoitecer.

Esperem a cidade acalmar e os carros rumarem à periferia.

Esperem um 15 dos antigos no Cais do Sodré.

Sentem-se num dos muitos lugares disponiveis.

E esperem a chegada à Junqueira.

Abram a janela, sejam inundados pelo ar da noite.

Aí sem carros, nem paragens o condutor vai acelerar.

O eléctrico vai tremer no seu periclitante andamento sobre carris.

E vocês vão ter a sensação que estão a voar.

 

 

 

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Obrigada (cara sarcástica)

Andava eu a dar uma volta pelo Chiado para fazer tempo quando resolvi, como não podia deixar de ser, passar pela Bertrand para ver as novidades. Juntando o útil ao agradável resolvi ir até à última sala que agora se transformou num café e beber, passo a redundância, um café.

 

Espaço pequeno sem pretensões aparentes, serviço bastante simpático, deitei a mão a um livro que lá estava e bebi o dito.

 

Levantei-me para sair, fui pagar e passou-se o seguinte diálogo:

 

Eu - É para pagar.

 

Empregada - Tem cartão Bertrand.

 

Eu - Tenho.

 

Empregada - É que assim tem desconto.

 

Eu - Boa ( a pensar que com desconto ia ter um café por 40 cêntimos ou algo do género.

 

Empregada - É 1€20.

 

Eu (de olhos esbugalhados) - 1€20?!

 

Empregada - Sim sem desconto era 1€35.

 

Eu - Obrigada (por nada).

 

Sim. Nunca mais lá volto. 

 

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Essa Raça Estranha

Abrindo parênteses ao meu post anterior onde festejei uma França sem um líder de extrema direita e a toda uma vida de simpatia e defesa pelos pobres e oprimidos, confesso que ando a virar um pouco xenófoba.

 

Não falo de imigrantes, nem de refugiados, nem das etnias que vivem neste país que é de todos.

 

A minha xenofobia começa a manifestar-se (só e apenas) quando me deparo com essa raça que anda a invadir cada vez mais as ruas da minha querida Lisboa, e que antigamente estava confinada aos Algarves, a Raça Turista.

 

A Raça Turista, é uma raça cujos elementos têm uma curta longevidade mas que provoca sérias mutações.

 

Só este fim de semana, quando precisei de andar em Belém de forma desembaraçada, é que reparei que a Raça Turista não anda, ela arrasta os pés. Move-se em bando ocupando todo o passeio e anda a um décimo da velocidade considerada normal.

 

É aqui que percebemos que esta nova raça também habita uma dimensão diferente a nível espaço-temporal, eles não se apercebem que existe mais gente à sua volta. Podemos gritar "com licença", "excuse me" ou tentar dar uns encontrões, que eles não se movem. Só conseguimos passar por eles se tivermos a sorte deles mudarem a direção do seu bando ou se houver forma de os contornar. 

 

E isto porque entram facilmente num estado de hipnoze. Tudo é "Very typical" e "Oh que c'est beau", nem que sejam banais bolas de Berlim e pães com chouriço do Pingo Doce. Ainda hoje queria sair das instalações deste supermercado no Cais do Sodré, onde há uma banca exterior de venda de bolos e salgados e tinha uma turista debruçada à minha frente hipnotizada pela comida e com uma mochila que igualava o seu tamanho às costas que impedia qualquer tentativa de saída do local.

 

Outra das características desta raça, é que pensam que o mundo é uma colónia inglesa e que este é o único idioma falado onde quer que se dirijam.

Aprender um "Bom dia", "Obrigado", ou começar uma conversa com um sorriso envergonhado pedindo desculpa por não falar português ou tentando saber se nós falamos inglês é coisa que não lhes passa pela cabeça. Põem-se a falar inglês e pronto, nós é que temos que nos desemerdar para os entender ou passar vergonhas se não o conseguimos. E o pior é que isto pega-se, muitas vezes chegamos a uma loja ou pastelaria e somos recebidos em inglês.

 

E concluindo o meu estudo, a Raça Turista, é uma espécie invasora, estão por todo o lado. É impossível andar na rua sem se tropeçar num deles ou sem ter os nossos recantos preferidos atolhados com turistas em "peregrinação", tornando tudo num cenário semelhante ao Santuário de Fátima no dia 13 de Maio. Às vezes acho que não era a população de pombos que devia ser controlada mas sim a de turistas.

 

Dito isto, de vez enquando sinto umas ganas de esbofetear alguns. Desculpem-me a violência (que é só mental) porque sou uma pessoa de paz e amor mas tenho os meus momentos mais negros também.

 

Na volta é só dor de cotovelo por não ser eu a turista a vaguear por aí .

 

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Lisboa Adormecida

Por vezes quando menos esperamos há aqueles momentos em que nada acontece mas que nos enchem de um prazer imenso. Senti isso na terça à noite, quando saindo de um trabalho na zona da Baixa me deu uma vontade imensa de ir a pé até ao comboio subindo o Chiado e descendo pela rua do Alecrim.

 

Deviam ser uma 21 horas mas resolvi não me importar com o horário do comboio e vaguear por esta Lisboa tão diferente do habitual. Não sei há quantos anos não via aquela zona tão despida de gente.

 

Os nova-iorquinos gabam-se que a sua cidade nunca dorme, a mim deu-me gosto sentir esta Lisboa finalmente ensonada após a loucura estival e a agitação natalícia.

 

Noite fria de Janeiro, começo da semana. As lojas fechadas, alguns resistentes nas esplanadas, possivelmente turistas para quem estas temperaturas frias mas positivas sabem a Verão.

 

E a estranheza que já vai fazendo parte da cidade. A um canto uns animados miúdos voluntários, acompanhados de um gigante e deslocado Pikachu, pediam para uma qualquer instituição, tentando aliciar a carteira de umas estrangeiras. Noutro canto um belo rapaz de olhar alucinado tocava e cantava perto de uma esplanada. O que murmurava parecia mais para sim, para aliviar os fantasmas da sua alma do que para os ouvidos que o rodeavam. 

 

Na Rua do Alecrim com a sua vista para a "Rua Rosa" o ambiente era de espera. Mesas postas, luzes acessas como o pulsar de uma cortesã à espera dos seus amantes que possivelmente já não chegariam naquela noite.

 

Lisboa estava assim com olhar semicerrado à espera do final da semana que se aproximava lentamente. E eu passei por ela em bicos dos pés para não a despertar.

 

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Obras em Lisboa

Ando há meses a praguejar, a maldizer, a ser bastante mal-educada em pensamentos devido às obras no Cais.

 

Mas...

 

esta sexta percebi as obras de Lisboa. 

 

A rua do Arsenal com passeios largos ladeados por pilares de segurança. Gosto...

 

Gosto mesmo muito .

O Bairro

O tempo passa a correr, acho que já não ia lá há mais de um ano. Mas ontem estava com a neura e deu-me vontade de arejar a cabeça. Telefonei a uma amiga de sempre, fomos jantar fora e depois passámos pelo Bairro.

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Apetecia-me ir ao Bairro, regressar ao Alto dos vintes, o sítio que nos acolhia como se fosse a nossa segunda casa, onde nos sentávamos na rua como se as pedras do passeio fossem confortáveis sofás e partilhávamos em grupo uma garrafa qualquer. E sonhos. E ideais.

 

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Gosto de visitar os sítios míticos, passar pelo Mezcal e beber um shot, olhar para o Apolo,  entrar no Páginas Tantas, verificar se o Arroz Doce continua a dar Pontapés na...(sítio que eu cá sei).

 

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Se calhar fui procurar por mim na rua, a ver se ainda lá estava nos vintes. Na altura éramos artistas, depois passamos a académicos. Tudo era possível. É engraçado que regressei num dia em que estava com a neura dos 40, por ver o tempo a passar, sentir que tudo está estagnado e não me ver a ir a lado nenhum. 

 

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Mas na verdade eu não estava lá e o espírito do Bairro estava adormecido.

Agora parece tudo uma estância turística. Tentam-nos "vender" lugares em restaurantes falando em inglês.

Mas também era cedo porque como costumo dizer, isto de ter 40 dá muito sono, se calhar mais tarde o espírito é o mesmo. Não sei.

Se calhar quando o espírito bairrista acordou, era eu que já estava a dormir.

 

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Contribuimos Para Destruir o Que É Nosso

No centro comercial ao pé de mim, mais conhecido como o "Shopping da Linha" porque o "Centro Comercial da Linha"  seria demasiado brega, há muitos anos (já não consigo garantir se desde o início) havia uma livraria Bulhosa. Era um espaço agradável, um oásis na confusão do centro.

Era uma loja de dois andares, com uma engraçada mini-escada rolante para o primeiro andar no qual muitas vezes nos sentávamos num recanto a ler livros até nos decidirmos qual é que trazíamos.

No andar debaixo havia um balcão de café sempre com bolos e bombons de aspecto caseiro e as mesas de degustação acabavam por se misturar com os balcões onde os livros estavam expostos. 

Quando comprávamos um livro para oferecer, a primeira admiração do "presenteado" era o belo embrulho que o envolvia que imitava páginas de livros.

Mas há uns meses abriu uma Fnac no Centro e a Bulhosa em pouco tempo acabou por fechar.

Não sei se foi coincidência mas é pena, muita pena.

E voltam-me as saudades da muito querida Valentim de Carvalho do Rossio que teve a mesma sorte.

Santo António vs. São Valentim e o São Vicente Fica a Ver Navios

O comentário de Andy Bloig ao meu post "Balanço de Santo António":  Santo António é casamenteiro... não é namoradeiro. Por isso é que não encontraste nenhuma novidade. Ele só te ajuda depois de já teres parceiro que te ajude a ultrapassar o nevoeiro para passares a ter companheiro . Inspirarou-me a escrever este apontamento para tentar perceber estas duas tradições.

 

Será o São Valentim o santo namoradeiro e o Santo António o santo casamenteiro?

Pelo que percebo não. Tanto um como o outro têm as duas funções. Depreendo que isto se deve ao facto de serem tradições ancestrais vindas de tempos em que só se namorava para casar. Uma coisa implicava praticamente a outra .

Por isso Santo António 1 - São Valentim 1

 

E as simpatias?

Antes que seja excomungada por maltratar imagens religiosas, quero aqui deixar claro que as simpatias não foram inventadas por mim. Foram retiradas de sites, eu só escrevi os comentários.

 

Existem contudo muito mais simpatias a Santo António do que a São Valentim. E ele faz tudo, arranja namorados, traz ex-namorados de volta, arranja casamentos e ainda há versões para mulheres solteiras novas e versões para solteiras velhas.

 

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Por isso Santo António 2 - São Valentim 1

 

Quem foram eles?

Santo António, nasceu em Lisboa com o nome Fernando de Bulhões (15 de Agosto de 1191) e faleceu em Pádua em 13 de Junho de 1231).

 

Quanto ao São Valentim os historiadores andavam à tareia sobre as suas origens. Resultado o santo foi banido do calendário católico no século XVIII por ninguém saber bem quem ele foi. 

No dia 14 de Fevereiro festejavam-se vários santos com o mesmo nome, contudo o primeiro teria sido um bispo italiano. 

 

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Por isso Santo António 3 - São Valentim 1

 

E o dia dos namorados?

Dia de São Valentim equivale a dia dos namorados em vários países e só o povo brasileiro festeja os namorados no dia de Santo António.

 

Por isso Santo António 3 - São Valentim 2

 

Conclusão final

 

14 de Fevereiro - provavelmente vêm de um antigo festival romano chamada Lupercalia, que se realizava neste dia. A festa celebrava a fertilidade homenageando juno (deusa da mulher e casamento) e Pã (deus da natureza) Também marcava o início oficial da primavera.

Duas lendas são associadas ao suposto São Valentim ou ele terá devolvido a visão a uma jovem por quem se apaixonou e a quem enviou uma mensagem assinada como "o teu Valentim". Ou terá continuado a realizar casamentos que teriam sido proibidos aos guerreiros romanos para lutarem melhor. De uma maneira ou de outra o senhor irritou  o imperador Cláudio II e acabou decapitado. 

 

13 de Junho - Quanto ao Santo António e a sua ligação ao amor existem várias lendas pós-morten, não teria sido nada que ele tivesse feito em vida. Deixo aqui esta porque explica também porque se maltrata o santo para ele "funcionar" .

 

Por isso Santo António 3 - São Valentim 3

 

Um empate parece justo mas confesso que tenho mais simpatia pelo António.

 

E o que é que o São Vicente tem a ver com isto?

Não muito. Apenas fiquei supreendida quando me lembrei de perguntar a lisboetas qual o santo padroeiro da cidade e quase todos respondem Santo António. Como o São Vicente é festejado a meio do inverno (21 de janeiro) e não garante sexo, ninguém quer saber dele. 

Questões religiosas à parte, não reconhecer São Vicente como santo padroeiro de Lisboa é não conhecer o brasão da nossa cidade, dado que a imagem central refere-se à lenda de São vicente.

 

 

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