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De Repente Já Nos...40!!!

O Lado B da Vida

De Repente Já Nos...40!!!

O Lado B da Vida

Ponto de Viragem

Por natureza sempre fui uma pessoa optimista, mesmo que o cenário esteja negro penso que tudo terminará bem. Mas durante algum tempo confesso que paralelamente ao optimismo, tinha tendência para vítimização.

 

Optei por nunca revelar a minha profissão neste blog, mas na entrada dos 30 dei uma volta à minha vida e tirei uma segunda licenciatura na área da saúde. E foi o contacto com esta área que me fez ver o mundo de uma forma diferente, passei a ver tudo de forma relativa.

 

O meu "ponto de viragem" foi o Vasco (nome fictício). Conheci o Vasco no estágio clínico do 4º ano. Tinha mais 9 anos do que eu. Acabado de entrar nos 40, vida profissional muito ativa, grande desportista, a ELA entrou na sua vida e em poucos meses tudo se alterou. 

 

Em poucos meses começou a ter graves problemas respiratórios, perdeu toda a força no pescoço, começou a perder força nos membros superiores. Mas mantinha a boa disposição. A fé de lutar.

 

E eu olhava para o Vasco e pensava, quem sou eu para me lamuriar das parvoíces da minha vida perante o que ele está a passar. Enquanto não souber na pele o que é isto, não me posso queixar de ninharias.

 

Já passaram 10 anos. O Vasco já não deve estar fisicamente entre nós. Não estou constantemente a pensar nele. Mas sei que foi ele o meu ponto de viragem.

 

Cada um sabe da sua dor não venho dar lições a ninguém. Mas eu assumi a minha natureza positiva, a alegria, o optimista. Sou bricalhona. Claro que por vezes ainda tenho os meus dias cinzentos mas já não me consigo vitimizar, nem tenho muita paciência para ouvir quem se vitimize sem dar a valor ao muito que tem de bom.

Sei que algumas pessoas se afastam por não encontrar empatia para alimentar a sua dor ou pensarem que sou tontinha ou estou a representar um papel, como já me perguntaram.

 

A verdade é que a minha a profissão é instável, nem tudo são rosas a nível familiar, não tenho companheiro, não tenho filhos. Mas também tenho muita coisa boa e sei estar agradecida pelo meu presente.

 

E enquanto tiver forças para isso, prefiro celebrar a vida do que queixar-me de barriga cheia.

 

Obrigada Vasco, onde quer que estejas.

 

 

 

Qual É a Vossa Música?

Não estou a falar da vossa música preferida, nem de uma que passou a ser vossa por terem ouvido em algum momento especial.

 

Estou a perguntar se têm alguma música que saia de dentro de vós sem saberem o porquê.

 

Eu tenho uma. Quando estou em momentos mais refletivos, seja qual for o assunto que me ponha melancólica, dou por mim a cantar The Blower's Daughter de Damien Rice. Mas de resto nem uma vez por ano vou procurar esta música para ouvir.

 

Coisas inexplicáveis do nosso inconscente.

 

"And so it is just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is the shorter story
No love, no glory
No hero in her sky
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you"

Será Mesmo Bom Tempo?

Num futuro próximo, creio que infelizmente, as designações habituais de bom tempo e mau tempo trocarão entre elas de significado.

 

Numa altura em que já devíamos estar a comer castanhas assadas, andamos a assar como castanhas. Os fogos voltaram a ganhar força e a seca agrava-se. 

 

Será que podemos continuar a dizer que isto é bom tempo?

 

Bom tempo é termos verões quentes e felizes, depois passar para a refrescante chuva do outono que prepara as nossas barragens para o próximo verão e fertiliza as terras e em seguida para o frio do inverno. 

 

Este tempo a mim assusta-me e muito.

 

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E Os Espanhóis?

Bem, esta semana está-me a dar para falar do português.

 

E como é? Os espanhóis são mesmo burros ou apenas embirrantes a respeito da nossa língua? (Com todo o respeito por nuestros hermanos).

 

Confesso que por mim nunca acreditei naquela mania de não entenderem o português, acho sempre que é má vontade. Quando faço esta afirmação há sempre quem ponha água na fervura e diga que coitados, a culpa não é deles o português é que é mesmo difícil.

 

Por mim leio facilmente em Espanhol e embora não fale por não saber construir frases e conjugar verbos, percebo o sentido do que dizem numa conversa.

 

Dito isto, fui este ano à Feira Medieval de Óbidos e enquanto esperava ser atendida para comprar um bolo, tinha à minha frente uma espanhola que após apontar para o bolo que queria quando a empregada lhe disse: "Dois Euros", perguntou prontamente: "¿Qué?" ao que a outra teve que responder: "Dos".

 

Fiquei a pensar: "Não acredito", isto não é possível, até em alemão e mandarim consigo contar até cinco pelo menos.

 

Passados uns minutos enquanto esperava que uma amiga saísse da casa de banho estive entretida a ouvir uma conversa entre um espanhol e um português. Dois moços novos, vestidos de metaleiros, com ar de serem fixes e despretensiosos. E espante-se, não se conheciam de lado nenhum e estavam ali numa longa conversa, um em português e outro em espanhol como se falassem a mesma língua. Nunca pediram para o outro repetir nada.

 

E então tenho razão ou não? Digam lá se isto da maior parte dos espanhóis teimar que não percebe o português é falta de vontade ou não?

Ainda Sobre o Assunto de Ontem

Aquele momento em que fiquei de boca aberta a pensar: “Está tudo perdido”, foi quando uma colega minha ao provar uma refeição disse: “Isto está mesmo tasty”.

 

Confesso que o meu espanto foi tanto que nem tive resposta para lhe dar.

“Tasty” tirando o exotismo do y final é uma palavra insípida, sensaborona. Como é que tasty pode substituir o nosso saboroso para falar de um prazer que estamos a ter?

 

"Tasty" é uma palavra que se diz num instante, duas sílabas que se dizem batendo duas vezes com a língua no céu da boca e já passou.

Saboroso ao contrário é uma palavra que nos enche a boca. Quatro sílabas que se podem dizer lentamente e languidamente demonstrando todo o prazer da gula que estamos a experienciar naquele momento. Passando a redundância, “saboroso” é uma palavra saborosa, cheia. 

 

Por isso, há que saborear bem a nossa língua que é muito mais do que Fado ou Saudade.

Desabafo

Fico triste, ou irritada, ou uma mistura dos dois por reparar que hoje em dia, cada vez mais, projetos novos a todos os níveis, sejam grandes ou pequenos, têm nomes em inglês.

 

De onde vem esta noção que é necessário rebaixar assim a nossa língua para sermos bem sucedidos e aceites?

 

Porque trocamos Camões por Shakespeare?

 

Como é que um povo que já dominou o mundo, está-se a tornar uma colónia linguística de Sua Majestade?

Os Amigos Virtuais dos Anos 90

Este fim-de-semana ao encontrar uma caixa na cave dos meus pais, relembrei um passatempo dos meus 18-20 anos.

 

Na década de 90, enquanto a internet surgia timidamente e ninguém percebia ainda lá muito bem o que aquilo era, percorríamos o mundo virtualmente de forma lenta ou seja, à velocidade que era permitida pelos correios.

 

Por anúncios que eram colocados em jornais, revistas, pessoas que calhávamos a encontrar numa tarde de verão, fazíamos "pen fridends", "pen buddies" ou "pen pals" como lhes quiserem chamar. Era das poucas terminologias em inglês que usávamos na altura. Amigos de várias partes do mundo com quem nos correspondíamos regularmente, sobretudo através de postais.

 

E de repente tínhamos a caixa de correio colorida com postais enviados de todo o mundo. Era uma festa quando recebíamos um e ficávamos assim a conhecer histórias de vidas tão distantes.

 

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Um dos casos mais engraçados foi um americano com quem eu e a minha melhor amiga nos correspondiamos e que sem mais nem menos, apareceu-nos à porta.

Primeiro foi a casa da minha amiga em Lisboa e ela diz que o encontro foi muito estranho, o rapaz chegou lá, ela disse para irem tomar um café e teve que fazer a conversa toda, o rapaz práticamente não dizia nada .

Depois saiu de lá e veio para Oeiras. Nesse dia eu não estava em casa, e o meu pai, armado em pai urso, despachou o rapaz. Disse para ele telefonar mais tarde mas deu-lhe um número de telefone errado. Tadinho do moço.

Era o correspondente mais dedicado, para além dos postais enviava cartas longas e K7's que gravava com arranjos musicais que fazia.

 

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Estas relações acabavam sem dramas , uma das partes deixava de escrever e a outra não se ralava.

 

Mas contou-me uma colega que continua com uma penfriend desta altura e que agora as filhas de ambas também já se escrevem. Engraçado.

 

Tiveram destas amizades? 

 

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Só Tenho Uma Regra

Não falando de nenhum caso em especial, a verdade é que ando no geral farta do abuso da suposta "Liberdade de Expressão" quando na realidade o que se disse foi "Falta de respeito".

 

A mim, ensinaram-me que a minha liberdade termina onde começa a do outro e acho que foi um ótimo ensinamento que devia ser seguido pela humanidade em geral.               

6 Tipos de Psicopatas Nas Passadeiras

Desloco-me sobretudo a pé no meu dia-a-dia e como peã profissional que sou, habituei-me, não a olhar para os carros como um todo mas, a estar sobretudo atenta aos condutores, para perceber se eles estão realmente a ver o que se passa.

 

Uma das coisas que tenho reparado nos últimos anos é um crescente desrespeito pelas passadeiras. Na maior parte das vezes se paro ao pé da passadeira, são poucos os que param de livre vontade (obviamente que se inserem nesta categoria os condutores que lêem este blog, só boa gente ), os outros só o fazem se movemos alguma parte do corpo com intenção de avançar.

 

E ao analisar os condutores tenho reparado em 4 tipos distintos com tendências assassinas, ou seja, os que não param de todo.

 

(Eu sei que também há peões que se atiram de cabeça quando estão ao pé da passadeira mas aqui vou referir-me àqueles condutores que têm tempo e obrigação de parar).

 

Os Deuses - "Peões? Simples mortais que andam a pé, o que é isso? Não sei de nada". Para este tipo, pessoas que andam a pé são invisíveis. 

 

Os fingidos - Pertencem a esta categoria os pseudo-simpáticos. Quase vos atropelam mas fazem um grande sorriso e pedem desculpas com a mão enquanto se desviam, do género: "Ups, não foi por mal, só agora vi que estavas aí".

 

Os Pseudo-Distraídos - Fingem que não viram nada. Existem três tipos distintos nesta categoria. Os que aproveitam estar ao telemóvel e continuam com o olhar em frente (cometendo assim duas infrações). Os que no momento que chegam à passadeira olham para o lado, como se o facto de não terem parado se devesse a terem visto uma coisa muito interessante no sentido oposto à passadeira exatamente naquele momento. E os que fingem não ter visto uma pessoa a andar no passeio que tem como continuação lógica uma passadeira, do género "Ias continuar em frente em direção à passadeira? Quem diria, pensei que conseguias levantar vôo" .

 

Os Matemáticos - Esta é a categoria mais recente, só dei por eles há pouco mas já passaram alguns por mim. São os mais assustadores porque aqui o peão já está em cima da passadeira. Fazem rapidamente contas de cabeça e carregam no acelerador, sabendo que àquela velocidade, vão passar exatamente na 2ª metade da passadeira enquanto o peão está a terminar a primeira metade.

 

Claro que normalmente todos eles ficam parados no sinal vermelho à frente, tipo karma, mas isso não interessa nada.

 

E já agora entre os que param, temos também dois tipos assustadores:

 

O Ameaçador - Este tipo, fica a meio caminho entre o para, não para. Ou seja, nunca para verdadeiramente o carro. Enquanto o peão está na passadeira, o carro continua a deslizar para cima da pessoa só para apressar. Ficamos a pensar que se nos desse uma sulipampa ou se tropeçássemos, seriamos sem dúvida atropelados.

 

O Malcriado - O malcriado, trava bruscamente o carro só porque tem de ser, já a passadeira vai quase a meio, e arranca fazendo fumo nos pneus assim que pode. E porque é malcriado? Porque tenho a certeza que nos "entretantos" está a pensar: Fod....**** só me faltava esta. Despacha-te lá oh filho da******.

 

Num mundo em que se assiste a tanta barbaridade e mortes sem sentido, vamos lá ao menos respeitar as passadeiras.

É Uma Questão de Postura

Sim, vou falar outra vez do Salvador Sobral mas na verdade não vou falar do Salvador Sobral, vou falar de mim.

 

De vez enquanto a minha mente começa a analisar coisas estranhas e dei comigo a pensar mas afinal porque raio é que simpatizo com o Salvador Sobral e cheguei à conclusão que é por termos uma postura muito semelhante na maneira de ser.

 

Já algumas pessoas me vierem dizer que antes de me conhecerem bem não gostavam de mim. E isto porquê? Porque achavam que eu transmitia um ar convencido e arrogante.

 

Também a Roberta Medina há 8 anos, antes de dizer ao Salvador que ele tinha entrado para os Ídolos atirou-lhe à cara que ele era arrogante.

 

Mas na realidade não somos nada arrogantes, temos é a postura do "Está tudo bem" (claro que não o conheço bem para afirmar que ele pensa o mesmo mas acho que sim).

 

Eu tenho mesmo a postura do "está tudo bem", se gostas de mim gostas, se não gostas tenho pena, se me querem aqui ok, se não me querem não há problema é porque deve haver por aí outro sítio onde me queiram realmente. 

 

Não é preciso decotes, mostrar a perna, sorrisos amarelos, conversa fiada e grandes produções. É o chegar, tentar dar o meu melhor e se deu, deu, se não deu, é porque não era para ser.

 

Só agora aos 40 é que percebi que realmente sou assim. Com a idade dele ainda tentava que as pessoas gostassem de mim e fazia tudo para as agradar mas com o passar do tempo acabei mesmo por assumir, e desculpem-me a expressão mas acho que é mesmo a certa, o ar do: "Estou-me a cagar".

É que a prestação dele foi mesmo: "Estou-me a cagar". Não vou vestido de Armani, o meu olhar não vai fazer amor com a câmara, vou simplesmente dar o meu melhor. Não interessa se estou em Kiev ou na Mouraria, vou dar aquilo que tenho para dar, seja a cantar na Eurovisão ou no bar da esquina.

 

Não é ser convencida, até porque tenho pouca auto-confiança, é mesmo gostar de mim própria (já aqui expliquei várias vezes que tenho esta idiossincrasia de não ter auto-confiança mas ter uma boa auto-estima) e perceber cada vez mais que se alguma coisa não dá certo é porque não era para ser e o de já só querer na minha vida pessoas que gostem de mim assim como sou.

 

Acho que ele assume na casa dos 20 aquilo que eu demorei 40 anos a perceber.