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De Repente Já Nos...40!!!

O Lado B da Vida

De Repente Já Nos...40!!!

O Lado B da Vida

Só Tenho Uma Regra

Não falando de nenhum caso em especial, a verdade é que ando no geral farta do abuso da suposta "Liberdade de Expressão" quando na realidade o que se disse foi "Falta de respeito".

 

A mim, ensinaram-me que a minha liberdade termina onde começa a do outro e acho que foi um ótimo ensinamento que devia ser seguido pela humanidade em geral.               

6 Tipos de Psicopatas Nas Passadeiras

Desloco-me sobretudo a pé no meu dia-a-dia e como peã profissional que sou, habituei-me, não a olhar para os carros como um todo mas, a estar sobretudo atenta aos condutores, para perceber se eles estão realmente a ver o que se passa.

 

Uma das coisas que tenho reparado nos últimos anos é um crescente desrespeito pelas passadeiras. Na maior parte das vezes se paro ao pé da passadeira, são poucos os que param de livre vontade (obviamente que se inserem nesta categoria os condutores que lêem este blog, só boa gente ), os outros só o fazem se movemos alguma parte do corpo com intenção de avançar.

 

E ao analisar os condutores tenho reparado em 4 tipos distintos com tendências assassinas, ou seja, os que não param de todo.

 

(Eu sei que também há peões que se atiram de cabeça quando estão ao pé da passadeira mas aqui vou referir-me àqueles condutores que têm tempo e obrigação de parar).

 

Os Deuses - "Peões? Simples mortais que andam a pé, o que é isso? Não sei de nada". Para este tipo, pessoas que andam a pé são invisíveis. 

 

Os fingidos - Pertencem a esta categoria os pseudo-simpáticos. Quase vos atropelam mas fazem um grande sorriso e pedem desculpas com a mão enquanto se desviam, do género: "Ups, não foi por mal, só agora vi que estavas aí".

 

Os Pseudo-Distraídos - Fingem que não viram nada. Existem três tipos distintos nesta categoria. Os que aproveitam estar ao telemóvel e continuam com o olhar em frente (cometendo assim duas infrações). Os que no momento que chegam à passadeira olham para o lado, como se o facto de não terem parado se devesse a terem visto uma coisa muito interessante no sentido oposto à passadeira exatamente naquele momento. E os que fingem não ter visto uma pessoa a andar no passeio que tem como continuação lógica uma passadeira, do género "Ias continuar em frente em direção à passadeira? Quem diria, pensei que conseguias levantar vôo" .

 

Os Matemáticos - Esta é a categoria mais recente, só dei por eles há pouco mas já passaram alguns por mim. São os mais assustadores porque aqui o peão já está em cima da passadeira. Fazem rapidamente contas de cabeça e carregam no acelerador, sabendo que àquela velocidade, vão passar exatamente na 2ª metade da passadeira enquanto o peão está a terminar a primeira metade.

 

Claro que normalmente todos eles ficam parados no sinal vermelho à frente, tipo karma, mas isso não interessa nada.

 

E já agora entre os que param, temos também dois tipos assustadores:

 

O Ameaçador - Este tipo, fica a meio caminho entre o para, não para. Ou seja, nunca para verdadeiramente o carro. Enquanto o peão está na passadeira, o carro continua a deslizar para cima da pessoa só para apressar. Ficamos a pensar que se nos desse uma sulipampa ou se tropeçássemos, seriamos sem dúvida atropelados.

 

O Malcriado - O malcriado, trava bruscamente o carro só porque tem de ser, já a passadeira vai quase a meio, e arranca fazendo fumo nos pneus assim que pode. E porque é malcriado? Porque tenho a certeza que nos "entretantos" está a pensar: Fod....**** só me faltava esta. Despacha-te lá oh filho da******.

 

Num mundo em que se assiste a tanta barbaridade e mortes sem sentido, vamos lá ao menos respeitar as passadeiras.

É Uma Questão de Postura

Sim, vou falar outra vez do Salvador Sobral mas na verdade não vou falar do Salvador Sobral, vou falar de mim.

 

De vez enquanto a minha mente começa a analisar coisas estranhas e dei comigo a pensar mas afinal porque raio é que simpatizo com o Salvador Sobral e cheguei à conclusão que é por termos uma postura muito semelhante na maneira de ser.

 

Já algumas pessoas me vierem dizer que antes de me conhecerem bem não gostavam de mim. E isto porquê? Porque achavam que eu transmitia um ar convencido e arrogante.

 

Também a Roberta Medina há 8 anos, antes de dizer ao Salvador que ele tinha entrado para os Ídolos atirou-lhe à cara que ele era arrogante.

 

Mas na realidade não somos nada arrogantes, temos é a postura do "Está tudo bem" (claro que não o conheço bem para afirmar que ele pensa o mesmo mas acho que sim).

 

Eu tenho mesmo a postura do "está tudo bem", se gostas de mim gostas, se não gostas tenho pena, se me querem aqui ok, se não me querem não há problema é porque deve haver por aí outro sítio onde me queiram realmente. 

 

Não é preciso decotes, mostrar a perna, sorrisos amarelos, conversa fiada e grandes produções. É o chegar, tentar dar o meu melhor e se deu, deu, se não deu, é porque não era para ser.

 

Só agora aos 40 é que percebi que realmente sou assim. Com a idade dele ainda tentava que as pessoas gostassem de mim e fazia tudo para as agradar mas com o passar do tempo acabei mesmo por assumir, e desculpem-me a expressão mas acho que é mesmo a certa, o ar do: "Estou-me a cagar".

É que a prestação dele foi mesmo: "Estou-me a cagar". Não vou vestido de Armani, o meu olhar não vai fazer amor com a câmara, vou simplesmente dar o meu melhor. Não interessa se estou em Kiev ou na Mouraria, vou dar aquilo que tenho para dar, seja a cantar na Eurovisão ou no bar da esquina.

 

Não é ser convencida, até porque tenho pouca auto-confiança, é mesmo gostar de mim própria (já aqui expliquei várias vezes que tenho esta idiossincrasia de não ter auto-confiança mas ter uma boa auto-estima) e perceber cada vez mais que se alguma coisa não dá certo é porque não era para ser e o de já só querer na minha vida pessoas que gostem de mim assim como sou.

 

Acho que ele assume na casa dos 20 aquilo que eu demorei 40 anos a perceber.

Essa Raça Estranha

Abrindo parênteses ao meu post anterior onde festejei uma França sem um líder de extrema direita e a toda uma vida de simpatia e defesa pelos pobres e oprimidos, confesso que ando a virar um pouco xenófoba.

 

Não falo de imigrantes, nem de refugiados, nem das etnias que vivem neste país que é de todos.

 

A minha xenofobia começa a manifestar-se (só e apenas) quando me deparo com essa raça que anda a invadir cada vez mais as ruas da minha querida Lisboa, e que antigamente estava confinada aos Algarves, a Raça Turista.

 

A Raça Turista, é uma raça cujos elementos têm uma curta longevidade mas que provoca sérias mutações.

 

Só este fim de semana, quando precisei de andar em Belém de forma desembaraçada, é que reparei que a Raça Turista não anda, ela arrasta os pés. Move-se em bando ocupando todo o passeio e anda a um décimo da velocidade considerada normal.

 

É aqui que percebemos que esta nova raça também habita uma dimensão diferente a nível espaço-temporal, eles não se apercebem que existe mais gente à sua volta. Podemos gritar "com licença", "excuse me" ou tentar dar uns encontrões, que eles não se movem. Só conseguimos passar por eles se tivermos a sorte deles mudarem a direção do seu bando ou se houver forma de os contornar. 

 

E isto porque entram facilmente num estado de hipnoze. Tudo é "Very typical" e "Oh que c'est beau", nem que sejam banais bolas de Berlim e pães com chouriço do Pingo Doce. Ainda hoje queria sair das instalações deste supermercado no Cais do Sodré, onde há uma banca exterior de venda de bolos e salgados e tinha uma turista debruçada à minha frente hipnotizada pela comida e com uma mochila que igualava o seu tamanho às costas que impedia qualquer tentativa de saída do local.

 

Outra das características desta raça, é que pensam que o mundo é uma colónia inglesa e que este é o único idioma falado onde quer que se dirijam.

Aprender um "Bom dia", "Obrigado", ou começar uma conversa com um sorriso envergonhado pedindo desculpa por não falar português ou tentando saber se nós falamos inglês é coisa que não lhes passa pela cabeça. Põem-se a falar inglês e pronto, nós é que temos que nos desemerdar para os entender ou passar vergonhas se não o conseguimos. E o pior é que isto pega-se, muitas vezes chegamos a uma loja ou pastelaria e somos recebidos em inglês.

 

E concluindo o meu estudo, a Raça Turista, é uma espécie invasora, estão por todo o lado. É impossível andar na rua sem se tropeçar num deles ou sem ter os nossos recantos preferidos atolhados com turistas em "peregrinação", tornando tudo num cenário semelhante ao Santuário de Fátima no dia 13 de Maio. Às vezes acho que não era a população de pombos que devia ser controlada mas sim a de turistas.

 

Dito isto, de vez enquando sinto umas ganas de esbofetear alguns. Desculpem-me a violência (que é só mental) porque sou uma pessoa de paz e amor mas tenho os meus momentos mais negros também.

 

Na volta é só dor de cotovelo por não ser eu a turista a vaguear por aí .

 

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Chuva, Preciso de Ti.

Tenho a sensação que por vezes sou muito influenciada pelo tempo. 

 

Ontem sai de casa ao final da tarde e senti o ar muito carregado, muito abafado. Parecia que o céu se estava a preparar para nos abençoar com água mas acabou por não chover.

 

E eu também ando assim desde ontem. A sentir-me carregada. Como se tivesse uma núvem cinzenta enorme a pairar sobre mim. Dormi mal, acordei de coração apertado.

 

Apetece-me água que me lave a alma, carregue para longe esta sensação e traga de novo leveza ao meu ser.

 

Apetece-me um banho de chuva.

 

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Riso de Circustância

Português que é português gosta de atirar bocas cómicas em filas públicas, com os "colegas" de fila ou com os operadores de caixa e depois começa a olhar para trás, para ver se tem público e se as pessoas mais próximas se estão a rir também.

 

Se estou num daqueles dias não, em que a simpatia ficou em casa e o mau feitio vence. Aqueles dias em que não me apetece fazer parte do espetáculo, faço uma cara estranha e começo a olhar para o alto ou para trás a fingir que não estava a prestar atenção.

 

Tarde demais, sou apanhada. Logo aí a energia muda e começam a olhar para mim como se fosse uma ave rara. Um bicho estranho. Se o animador de serviço foi o senhor da caixa, já sei que vou ser atendida de trombas.

 

Dá vontade de dizer: "Lamento mas estou no meu direito de estar sem vontade de vos acompanhar neste momento de riso de circunstância. Podiam ao menos ter apreciado o meu esforço de vos ignorar e continuarem felizes no vosso momento privado".

 

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Comboios, Escrita, Pensamento Soltos

Nunca estou sincronizada com os comboios. Se me atraso, eles chegam "em ponto", se chego a tempo e horas eles atrasam-se.

Deve ser a famosa lei de Murphy.

Hoje ia em cima da hora e quando cheguei à estação vi o comboio a partir com dois minutos de avanço, nem queria acreditar.

Mas afinal, confirmei depois no horário, aquela era mesmo a hora certa do comboio. Àquela hora da manhã os comboios são mais frequentes e ainda não entraram nos horários regulares que sei de cor. Pensei que vinha aos 5 minutos e veio aos 3. Claro que o tinha apanhado se ele se tivesse atrasado os minutos do costume.

Acabei por ficar 12 minutos 16 minutos à espera do próximo que chegou com 4 minutos de atraso.

Claro que perdi o transporte a seguir que também saiu a horas e foram mais 30 minutos de espera...Lei de Murphy, só pode.

 

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Há dois anos resolvi participar no concurso de escrita infantil do Pingo Doce e descobri que a inspiração só me vinha com fúria nos transportes públicos.

Estou com vontade de voltar a participar este ano mas não me vem nenhum tema à cabeça.

Ultimamente não tenho precisado de andar de transporte, será melhor comprar o passe e vaguear por aí para conseguir escrever? (Difícil depois é conseguir ler o que escrevi dado a letra ficar bastante tremida)

 

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Será que os júris destes concursos são semelhantes aos da televisão? Será que lêem as obras enviadas até ao fim ou haverá escrita equivalente aos cromos dos programas televisivos?

Estava a pensar nisto tudo e vi a cara do Moura dos Santos a olhar para o meu manuscrito e a dizer: "Ana..

 

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Da Idoneidade dos Críticos e Jurados

Para começar, sei que também atiro aqui alguns bitaites sobre os meus gostos mas não são mais do que opiniões de bancada, não profissionais, sobre algumas áreas nas quais tenho um pouco de formação mas que felizmente não têm qualquer influência na vida dos visados.

 

Adiante e falando de profissionais.

 

Pegando no simples exemplo dos programas de talentos que proliferam nas televisões e sobretudo naquelas pessoas que ganham a vida sendo criticos de cinema, de gastronomia, de literatura, etc. por vezes fico a pensar se só o facto de ver, ler e degustar habilita alguém a julgar os outros.

 

Creio (posso estar enganada) que se fossemos a contas, a grande percentagem dos críticos e jurados não tem formação nas áreas em questão.

 

Será que quando nunca passámos milhares de horas a praticar uma arte ou um desporto, quando nunca tivemos lesões pelas nossas paixões, quando nunca nos fomos deitar e passámos as horas de sono a rever coreografias e músicas durante os sonhos, quando nunca fomos assombrados pelas personagens que vêm habitar a nossa imaginação, quando nunca "assámos" fechados numa cozinha sobre pressão, quando nunca sangrámos das mãos de tanto tocar um instrumento, quando nunca chorámos de frustração ou gánhamos o dia por ter feito um pequeno avanço.

Quando não temos calos nas mãos, quando não temos calos nos pés, quando não sabemos o que é continuar a praticar com dores no corpo, quando não temos marcas de queimaduras, quando não temos a técnica dentro de nós, quando não temos a cabeça quase louca das histórias que a povoam.

 

Quando nunca nada disto, será que temos uma verdadeira capacidade de julgar, de perceber o que realmente se passa?

 

Na minha modesta opinião, baseada em cinco anos de formação musical, dois de teatro e quinze de prática de dança não profissional. Ver muito, ler muito, provar muito, não é o mesmo que viver, que integrar estas áreas dentro do seu ser.

 

Por isso profissionais da arte de maldizer, quando andam mesquinhamente à procura das falhas, quando têm o poder de destruir sonhos, carreiras e obras. Perguntem-se, se realmente estarão habilitados para o fazer, se sabem realmente e técnicamente do que falam ou seria melhor calarem-se para sempre.

 

Não deveriam ser somente profissionais das respetivas áreas e com anos de experiência a criticar, profissionalmente, de forma construtiva?

 

No realidade dá-se crédito a gente não creditada que são o supra-sumo de nada. Influência e sabedoria não são e não deveriam valer a mesma coisa. Mas parece que uma, infelizmente, ganha à outra.

Outras Noites

Sexta à noite. Santos. 23h20. Saída de um jantar de aniversário. A correr para apanhar o comboio. Chuva, frio. O pensamento no conforto da cama e dos gatos.

 

Por debaixo do guarda-chuva, é preciso desviar dos miúdos que enchem as ruas.

 

Os pensamentos vagueiam até outros tempos, quando tinha a idade deles.

 

Frequentámos a 24 de Julho, as  Docas, Santos, o Bairro Alto. Íamos mudando de sítio conforme as modas.

 

Turma de teatro, colegas da universidade, amigos, as primas das borgas, a malta do verão, os colegas do primeiro emprego. Havia sempre alguém com quem sair em bando.

 

As primeiras saídas, as borboletas na barriga dos primeiros amores, as confissões e os risos até às tantas.

 

Jonnhy Guitar, Charlie Shot, Vacas Loucas, Arroz Doce, Mezcal, Apollo XIII, Marão eram alguns dos bares de eleição entre tantos outros que já esqueci. Alguns eram escolhidos por nos darem pipocas e amendoins à borla.

 

Bebiamos Cubas Libres no início, para experimentar aquela nova liberdade. Depois passámos para as sangrias, shots, caipirinhas, vodkas de sabores, as bebidas míticas dos anos 90, Gold Strike, Pisang Ambon. E os Pontapés na Cona e shots de Orgasmo que pedíamos só para os risos tontos.

 

As primeiras bebedeiras que também foram as últimas porque aprendemos à custa das consequências.

 

Comiamos em tascas baratas. Bifinhos com cogumelos ou bacalhau com natas eram sempre as opções de jantares de grupo.

 

As rosas vendidas pelos indianos vinham parar às nossas mãos depois dos rapazes as regatearem.

 

As ruas eram nossas, ficar sentados nos passeios era tão natural como estar nos sofás de casa.

 

Tínhamos a vida e os sonhos todos pela frente. Nada estava planeado porque tínhamos confiança que tudo aconteceria naturalmente.

 

Depois corríamos para apanhar o último comboio que na altura era só às 2h30 ou aguentávamos até ao primeiro da manhã.

 

Sexta à noite, de volta ao presente, passo pelos miúdos. Não sei se tento encontrar ecos do meu antigo eu no meio deles, se acho que eles vieram ocupar as ruas que antes eram minhas ou se apenas me fazem sentir a nostalgia de uma vida passada.

 

Está chuva, frio e o comboio não tarda. Os meus bandos já se dispersaram pela vida. E eu agora só quero ir para casa.