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De Repente Já Nos...40!!!

O Lado B da Vida

De Repente Já Nos...40!!!

O Lado B da Vida

Os Meus Finados

A pessoa mais próxima de mim a partir foi o meu avô materno em 2008.

 

Nunca andei na creche ou pré-primária. Cresci em casa dos meus avós e praticamente vivi com eles até aos 15 anos. Com um pai estudante de medicina e depois médico a fazer "bancos" noturnos, e com a minha mãe a trabalhar um pouco longe de Lisboa, por uma questão prática, só ao fim de semana vínhamos a casa, a Oeiras.

 

Como o meu avô se reformou quando eu tinha 2 anos e tendo a minha avó que fazer o trabalho de casa, era o meu avô que tratava do resto. Os passeios da tarde pelos jardins e monumentos (na maravilhosa zona de Belém), o levar à escola, era o nosso encarregado de educação e um dos membros mais ativos da comissão de pais, e também participava ativamente na nossa educação fora da escola.

Só tinha a 4ª classe mas lia tanto, fossem romances, fossem jornais (que na época tinham outra seriedade), fossem livros de história ou de geografia, sempre acompanhado de um dicionário cujas palavras lia e murmurava como se as tivesse a mastigar para melhor as interiorizar, que poucos doutorados nesta época de Bolonha terão a cultura geral que ele tinha.

 

Quando faleceu, fizemos o funeral na terra dele, Cepões, uma pequena aldeia do concelho de Lamego.

Assim que lá cheguei, no adro da igreja, "vi-o" a passear por ali, na sua postura de costas muito direitas, com um sorriso na cara, enquanto assobiava baixinho de contentamento e observava de forma contemplativa a paisagem que o viu nascer e crescer. Era esta a maneira como ele se movimentava pelo mundo.

 

Após a missa e funeral, fomos para casa dos meus tios-avós maternos e tinhamos uma mesa farta à nossa espera. Bolas, pães, queijos, enchidos e a família toda reunida, naquela comemoração, a falar e a rir e a partilhar as memórias do meu avô.

A imagem que me ficou desse dia, foi a de uma bela festa.

 

Passados uns 3 anos, fui passar uns dias a casa dos meus-tios avós maternos e numa tarde cinzenta, resolvi subir até ao cemitério para "ver" o meu avô.

É um pequeno cemitério, era uma tarde cinzenta como mencionei e ali estava eu sozinha.

 

Demorei a encontrar a campa do meu avô, mas encontrei a da minha bisavó materna que descascava batatas sentada no seu banquinho à beira dos potes que estavam ao lume e que brincava connosco de chinelo na mão fingindo que estava chateada e que nos queria apanhar enquanto nós gritávamos e fugíamos à sua volta. Encontrei a minha tia avó paterna, irmã do meu avô que morava numa casa ali ao lado e que sempre que chegávamos a casa dela enchia a mesa por artes mágicas com carne frita de porco, presunto, salpicão, bolas, feitas na altura, filhós, broas de milho e centeio e sardinhas albardadas. Encontrei os meus outros tios-avós maternos em cuja casa eu também estava sempre enfiada e cujos os sorrisos ainda me enchiam a memória. Encontrei outros tios-avós paternos que tinham a casa mais modesta da família mas também a mais amorosa, com vários vasos de manjerico à entrada e que assim que chegávamos aqueciam água para o chá e abriam uma caixa de sortido Nacional, coisa luxuosa na altura, só se abriam em dias de festa, que me punham logo a salivar com o pensamento nas bolachas de chocolate e que tinham um cão, um grande amigo deles, chamado Praquê, porque alguém quando soube que o meu tio tinha um cão perguntou idiotamente "Queres um cão p'ra quê?",

 

e chorei.

 

Naquela tarde cinzenta, naquele cemitério vazio, rodeada das fotos daqueles que me encheram de mimos, comida, sorrisos e sobretudo amor, chorei todas as lágrimas do mundo, achando que não era justo só restarem aquelas fotos, os nomes e aquelas duas datas quando eles tinham sido tanto na minha vida.

Acho que nunca senti uma tristeza tão profunda.

 

Este Verão quando lá fui já não tive coragem de voltar ao cemitério.

 

O meu espírito brincalhão devia terminar este post com algo à medida mas nada me ocorre.

 

Por isso, guardem deste texto só as belas memórias que vos quis transmitir dos meus finados.

 

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As Minha Estranhezas

É muito possível que o título deste post que me surgiu há bocado tenha a ver com o livro que ando a ler "Uma Estranheza em Mim" de Orhan Pamuk. E já agora muito obrigada pela sugestão Robinson Kanes, estou a adorar.

 

A estranheza de que aqui venho falar é da minha relação com a meditação e suas supostas consequências.

 

Já pratiquei meditação em aulas de yoga, num centro budista, e numa escola de yoga.

 

Embora sempre me tenha sabido bem, a verdade é que nunca atingi o nirvana nem qualquer estado de vazio que se parecesse.

Nas aulas de yoga sabia bem aquela pausa de relaxamento após o exercício, no centro budista sentia-me bem devido ao ambiente e ao fantástico mestre budista que dava a aula mas tive que abandonar após 4 aulas por coincidirem com uma licenciatura que comecei a tirar, nunca saindo por isso da meditação concentrada na respiração e na última aula de meditação que fiz na escola de yoga acabei a cantar mentalmente uma canção de Jennifer Lopez durante quase todo o exercício, para além de que no final a prof incentivava as pessoas a falar de sentimentos e sensações (só havia mulheres na aula) e toda aquela verborreia, para mim que sou uma mulher adepta do silêncio, acabava logo com o meu estado zen.

 

Isto para dizer o quê. Não consigo meditar. Não é natural em mim. Sabe-me bem o relaxamento mas não me dá nenhum vazio mental que me eleve ou transforme.

 

Então o que me leva a acalmar e a ter aquelas ideias geniais que acontecem no vazio? As tais coisas estranhas.

 

Um dia estava mesmo em baixo mentalmente, vinha uma amiga almoçar cá a casa e fui cozinhar. Arroz de peixe e camarão com uns pozinhos de caril. Refogado para um lado, pozinhos de especiarias para o outro, quando dei por mim estava inundada de calma e felicidade. A partir desse dia comecei a dizer que cozinhar é a minha meditação.

 

E quando preciso ter ideias geniais e criativas? Comecei a reparar que quando penso e cismo numa coisa nada sai. Então ao ficar irritada e ao ir para a Internet ver vídeos tontos (normalmente aqueles vídeos de 5 minutos DIY, faça você mesmo), fiz um descoberta casual, reparei que a mente se libertava e as ideias surgiam. Aquelas inutilidades duvidosas que não me ficam na memória fazem com que a mente relaxe e a imaginação funcione.

 

E pronto, a minha estranheza meditativa é esta. Mudo de humor quando estou concentrada a cozinhar e tenho ideias criativas a ver vídeos de "faça você mesmo" (as ideias que surgem em nada estão relacionadas com o tema visionado, óbviamente).

 

Realmente as pessoas não são todas iguais e o que serve para umas não tem efeitos noutras.

 

Por isso entreguem-se à vossa meditação.

 

Namaste

 

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Assustador

Estamos perto do dia de Todos os Santos e do dia dos Finados mas superstições e tradições à parte, assustador mesmo são estas temperaturas no final de Outubro.

 

Acho que oficialmente, podemos dizer que estragámos isto tudo, a nossa casa, a nossa Terra.

 

Bravo Ser Humano, chegamos à conclusão que de evoluídos é que não temos nada.

 

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Ponto de Viragem

Por natureza sempre fui uma pessoa optimista, mesmo que o cenário esteja negro penso que tudo terminará bem. Mas durante algum tempo confesso que paralelamente ao optimismo, tinha tendência para vítimização.

 

Optei por nunca revelar a minha profissão neste blog, mas na entrada dos 30 dei uma volta à minha vida e tirei uma segunda licenciatura na área da saúde. E foi o contacto com esta área que me fez ver o mundo de uma forma diferente, passei a ver tudo de forma relativa.

 

O meu "ponto de viragem" foi o Vasco (nome fictício). Conheci o Vasco no estágio clínico do 4º ano. Tinha mais 9 anos do que eu. Acabado de entrar nos 40, vida profissional muito ativa, grande desportista, a ELA entrou na sua vida e em poucos meses tudo se alterou. 

 

Em poucos meses começou a ter graves problemas respiratórios, perdeu toda a força no pescoço, começou a perder força nos membros superiores. Mas mantinha a boa disposição. A fé de lutar.

 

E eu olhava para o Vasco e pensava, quem sou eu para me lamuriar das parvoíces da minha vida perante o que ele está a passar. Enquanto não souber na pele o que é isto, não me posso queixar de ninharias.

 

Já passaram 10 anos. O Vasco já não deve estar fisicamente entre nós. Não estou constantemente a pensar nele. Mas sei que foi ele o meu ponto de viragem.

 

Cada um sabe da sua dor não venho dar lições a ninguém. Mas eu assumi a minha natureza positiva, a alegria, o optimista. Sou bricalhona. Claro que por vezes ainda tenho os meus dias cinzentos mas já não me consigo vitimizar, nem tenho muita paciência para ouvir quem se vitimize sem dar a valor ao muito que tem de bom.

Sei que algumas pessoas se afastam por não encontrar empatia para alimentar a sua dor ou pensarem que sou tontinha ou estou a representar um papel, como já me perguntaram.

 

A verdade é que a minha a profissão é instável, nem tudo são rosas a nível familiar, não tenho companheiro, não tenho filhos. Mas também tenho muita coisa boa e sei estar agradecida pelo meu presente.

 

E enquanto tiver forças para isso, prefiro celebrar a vida do que queixar-me de barriga cheia.

 

Obrigada Vasco, onde quer que estejas.

 

 

 

Qual É a Vossa Música?

Não estou a falar da vossa música preferida, nem de uma que passou a ser vossa por terem ouvido em algum momento especial.

 

Estou a perguntar se têm alguma música que saia de dentro de vós sem saberem o porquê.

 

Eu tenho uma. Quando estou em momentos mais refletivos, seja qual for o assunto que me ponha melancólica, dou por mim a cantar The Blower's Daughter de Damien Rice. Mas de resto nem uma vez por ano vou procurar esta música para ouvir.

 

Coisas inexplicáveis do nosso inconscente.

 

"And so it is just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is the shorter story
No love, no glory
No hero in her sky
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you"

Será Mesmo Bom Tempo?

Num futuro próximo, creio que infelizmente, as designações habituais de bom tempo e mau tempo trocarão entre elas de significado.

 

Numa altura em que já devíamos estar a comer castanhas assadas, andamos a assar como castanhas. Os fogos voltaram a ganhar força e a seca agrava-se. 

 

Será que podemos continuar a dizer que isto é bom tempo?

 

Bom tempo é termos verões quentes e felizes, depois passar para a refrescante chuva do outono que prepara as nossas barragens para o próximo verão e fertiliza as terras e em seguida para o frio do inverno. 

 

Este tempo a mim assusta-me e muito.

 

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E Os Espanhóis?

Bem, esta semana está-me a dar para falar do português.

 

E como é? Os espanhóis são mesmo burros ou apenas embirrantes a respeito da nossa língua? (Com todo o respeito por nuestros hermanos).

 

Confesso que por mim nunca acreditei naquela mania de não entenderem o português, acho sempre que é má vontade. Quando faço esta afirmação há sempre quem ponha água na fervura e diga que coitados, a culpa não é deles o português é que é mesmo difícil.

 

Por mim leio facilmente em Espanhol e embora não fale por não saber construir frases e conjugar verbos, percebo o sentido do que dizem numa conversa.

 

Dito isto, fui este ano à Feira Medieval de Óbidos e enquanto esperava ser atendida para comprar um bolo, tinha à minha frente uma espanhola que após apontar para o bolo que queria quando a empregada lhe disse: "Dois Euros", perguntou prontamente: "¿Qué?" ao que a outra teve que responder: "Dos".

 

Fiquei a pensar: "Não acredito", isto não é possível, até em alemão e mandarim consigo contar até cinco pelo menos.

 

Passados uns minutos enquanto esperava que uma amiga saísse da casa de banho estive entretida a ouvir uma conversa entre um espanhol e um português. Dois moços novos, vestidos de metaleiros, com ar de serem fixes e despretensiosos. E espante-se, não se conheciam de lado nenhum e estavam ali numa longa conversa, um em português e outro em espanhol como se falassem a mesma língua. Nunca pediram para o outro repetir nada.

 

E então tenho razão ou não? Digam lá se isto da maior parte dos espanhóis teimar que não percebe o português é falta de vontade ou não?

Ainda Sobre o Assunto de Ontem

Aquele momento em que fiquei de boca aberta a pensar: “Está tudo perdido”, foi quando uma colega minha ao provar uma refeição disse: “Isto está mesmo tasty”.

 

Confesso que o meu espanto foi tanto que nem tive resposta para lhe dar.

“Tasty” tirando o exotismo do y final é uma palavra insípida, sensaborona. Como é que tasty pode substituir o nosso saboroso para falar de um prazer que estamos a ter?

 

"Tasty" é uma palavra que se diz num instante, duas sílabas que se dizem batendo duas vezes com a língua no céu da boca e já passou.

Saboroso ao contrário é uma palavra que nos enche a boca. Quatro sílabas que se podem dizer lentamente e languidamente demonstrando todo o prazer da gula que estamos a experienciar naquele momento. Passando a redundância, “saboroso” é uma palavra saborosa, cheia. 

 

Por isso, há que saborear bem a nossa língua que é muito mais do que Fado ou Saudade.

Desabafo

Fico triste, ou irritada, ou uma mistura dos dois por reparar que hoje em dia, cada vez mais, projetos novos a todos os níveis, sejam grandes ou pequenos, têm nomes em inglês.

 

De onde vem esta noção que é necessário rebaixar assim a nossa língua para sermos bem sucedidos e aceites?

 

Porque trocamos Camões por Shakespeare?

 

Como é que um povo que já dominou o mundo, está-se a tornar uma colónia linguística de Sua Majestade?

Os Amigos Virtuais dos Anos 90

Este fim-de-semana ao encontrar uma caixa na cave dos meus pais, relembrei um passatempo dos meus 18-20 anos.

 

Na década de 90, enquanto a internet surgia timidamente e ninguém percebia ainda lá muito bem o que aquilo era, percorríamos o mundo virtualmente de forma lenta ou seja, à velocidade que era permitida pelos correios.

 

Por anúncios que eram colocados em jornais, revistas, pessoas que calhávamos a encontrar numa tarde de verão, fazíamos "pen fridends", "pen buddies" ou "pen pals" como lhes quiserem chamar. Era das poucas terminologias em inglês que usávamos na altura. Amigos de várias partes do mundo com quem nos correspondíamos regularmente, sobretudo através de postais.

 

E de repente tínhamos a caixa de correio colorida com postais enviados de todo o mundo. Era uma festa quando recebíamos um e ficávamos assim a conhecer histórias de vidas tão distantes.

 

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Um dos casos mais engraçados foi um americano com quem eu e a minha melhor amiga nos correspondiamos e que sem mais nem menos, apareceu-nos à porta.

Primeiro foi a casa da minha amiga em Lisboa e ela diz que o encontro foi muito estranho, o rapaz chegou lá, ela disse para irem tomar um café e teve que fazer a conversa toda, o rapaz práticamente não dizia nada .

Depois saiu de lá e veio para Oeiras. Nesse dia eu não estava em casa, e o meu pai, armado em pai urso, despachou o rapaz. Disse para ele telefonar mais tarde mas deu-lhe um número de telefone errado. Tadinho do moço.

Era o correspondente mais dedicado, para além dos postais enviava cartas longas e K7's que gravava com arranjos musicais que fazia.

 

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Estas relações acabavam sem dramas , uma das partes deixava de escrever e a outra não se ralava.

 

Mas contou-me uma colega que continua com uma penfriend desta altura e que agora as filhas de ambas também já se escrevem. Engraçado.

 

Tiveram destas amizades? 

 

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