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De Repente Já Nos...40!!!

O Lado B da Vida

De Repente Já Nos...40!!!

O Lado B da Vida

Fotografia da Semana #2

 

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 O Preto e o Rosa

 

Como foto desta semana resolvi destacar a dança.

 

Comecei no ballet aos 5 anos mas deixei passados três. Ainda apanhei a fase em que as aulas eram acompanhadas de piano, a professora recorria ao auxilio de um pau para marcar o ritmo e nos bater corrigir e os espetáculos finais eram numa afamada sala de Lisboa, o Tivoli. Passados 3 anos, farta de levar tareia ser corrigida pela professora, deixei as aulas.

 

Na casa dos 20 resolvi voltar à dança, o bichinho renasceu. Regressei ao ballet e comecei também com aulas de contemporâneo e improvisação e até aos 30 e poucos, fui deixando e voltando à dança, como uma amante indecisa, experimentando vários estilos.

 

Até que 2008 voltei a parar por 7 anos.

 

Depois de um ano no vai não vai, em 2015 voltei a inscrever-me numa escola de dança. Comecei por fazer só dança oriental e flamenco que me estavam no coração mas reparei que este ficava apertadinho cada vez que passava diante da sala do ballet e eu não estava lá dentro. Passados 3 meses entrei em regime livre trânsito na escola.

 

Este é o terceiro ano lectivo em que de segunda a sexta, os meus fins de tarde são passados na escola de dança, já cheguei a fazer três horas por dia mas este ano assentei nas duas, mais do que isso já não rende, é só cansaço.

 

Escolhi esta foto porque este ano entrámos a "matar". Devido a gripes dos professores e aos feriados ficámos com bastantes aulas para compensar em Dezembro. E estamos a fazer isso nestes fins-de-semana de Janeiro. No último sábado foram cinco horas, ontem mais duas e no próximo domingo há mais.

 

Esta foto é dos "sapatos" que me têm acompanhado nestes 20 anos. Embora em algumas aulas seja mesmo de pé descalço.

 

Devido à idade e ao peso ainda não me atrevi na aula de pontas, mas quem sabe se para o ano não me encho de loucura coragem e junte as sapatilhas de sonho de qualquer menina a esta "coleção".

Ainda Lá Chego

Estava de pé, sem nada mexer senão os dedos, quando de repente senti algo a escorregar pelas minhas costas.

 

Que estranho. Poderá ser? Sim, estou a suar. O calor não é assim tanto mas suor escorre-me pelas costas. Algo pouco habitual em mim.

 

Foram preciso 43 anos para começar a escorrer suor por concentração? Isto existe sequer? Muito provavelmente, não estava calor que justificasse e praticamente nem movimento existia.

 

Era a segunda aula e ali estava eu a dar tudo por tudo, concentrada a ver se conseguia apanhar o jeito às castanholas.

 

A prof ao ver o nosso ar de frustração mostrou-nos um vídeo para nos inspirar. Afinal não foi com duas aulas que aquela senhora frente a uma orquestra impressionante aprendeu a tocar assim.

 

Fazendo contas, quando tiver a idade dela poderei vir a dizer que já toco castanholas há 30 anos.

 

Afinal aos 40 parece que ainda vamos a tempo de descobrir talentos ou pelo menos apanhar o jeitinho (nem que seja só o jeitinho, assim, como boa portuguesa).

 

Nem tinha noção que existiam estas dinamicas nas castanholas. Pianissimos e fortissimos. Isto é um novo mundo. Olé.

 

 

 

 

E O Que Está Na Bolsinha É...(Neste Caso São...)

Obrigada DesconhecidaHappySofiaAndyStor ArmandoMaria AméliaMiguel pela vossa participação e tentativas (ou desistências à primeira ).

 

O que estava na bolsinha escondido com o rabo de fora, é o acessório do 4º Nível de Sevilhanas: castanholas (e ainda nesse dia tinha falado de nuestros hermanos mas por acaso não foi premeditado).

 

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 As castanholas são um instrumento de percussão. Foram criadas pelos fenícios há mais de 3000 anos, sendo por isso utilizadas muito antes do flamenco ou das mais recentes sevilhanas. Foi contudo a cultura espanhola que mais uso lhes deu. São também um instrumento típico do folclore português, principalmente de algumas regiões do norte.

 

Devem o seu nome ao seu formato semelhante às castanhas.

 

Possivelmente só vamos começar a praticar em Outubro, por isso, o próximo mês vai ser de castanhas e de castanholas 

 

Fotografar, Cozinhar, Dançar

Gosto de cozinhar, gosto de fotografar, gosto de fotografar aquilo que vou cozinhando. Do antes, do durante e do depois.

 

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Gosto de dançar, gosto de fotografar, gosto de fotografar, não o que se dança mas sim aquilo que se passa antes da dança. Quando voltei ao mundo da dança há ano e meio, olhava para as fotos que tirava e apercebia-me que as mais interessantes eram as dos bastidores. Da azafama, dos últimos ensaios no corredor, da maquilhagem, dos penteados, dos olhares nervosos, da festa e sobretudo de gente distraída, concentrada que não via que estava a ser fotografada.

 

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 Tenho fotos mais interessantes dos bastidores mas não quero colocar para não expor terceiros

 

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Não sou profissional em nenhuma destas artes mas no fundo, ser amador não é à partida ser menos bom, é "apenas" amar a arte de alma e coração.

 

E eu amo estes três verbos fotografar, cozinhar, dançar.

Bailarina - Dia Internacional da Dança

E neste Dia Internacional da Dança fui ao cinema com a minha sobrinha afilhada, ver a Bailarina. Recomendo. Dos melhores que vi.

 

O filme passa-se em 1800 e qualquer coisa, a Torre Eiffel e a Estátua da Liberdade estão a ser construidas e são cenário de algumas partes da história.

 

(P.S. O filme só tem uns erritos históricos . A Torre e a Estátua não foram construidas ao mesmo tempo. E na altura o Sr. Joseph Pilates ainda era uma criança por isso a prática de Pilates que aparece no filme também não existia ). Passando estas minhoquices à frente...

 

Dois jovens orfãos fogem e vão para Paris atrás dos seus sonhos. Ela quer ser bailarina da Opéra, ele quer ser inventor, e...

 

 

 

 

À hora do Lanche - Há Bailarinas e Há Outras

Chega-se áquela altura da vida em que o metabolismo já não é mais o mesmo e nos apercebemos que será melhor começar a ter (ainda) um pouco mais de atenção ao que se come, se não daqui a pouco chegamos a um ponto em que é mais difícil o regresso a um peso normal.

 

Com isto em mente e também porque comecei a sentir que com menos peso vou aproveitar melhor a dança, resolvi diminuir a quantidade de alimentos ingeridos e ter atenção à tendência de "picar" fora das refeições.

 

Entrando num café perto da escola de dança à hora do lanche para beber um sumo natural de morango e comer um "bolo" salgado de legumes, vejo uma das professoras de dança a entrar. Fico logo com a curiosidade alerta. Sendo ela moça na casa dos vinte e muitos e com corpo de bailarina fiquei desejosa de ver o que ela comia.

 

E o que foi que ela pediu? Uma água com gás. E ali ficou a bebericar a sua água, durante longos minutos.

 

E eu pensei: Lanchar uma água com gás?! Nunca vou conseguir igualar isto .

 

Como é que esta gente consegue sobreviver? Se calhar não há volta a dar. Sou mesmo uma mulher de "alimento", sem estômago de bailarina .

Fui Kizombar

Na escola de dança, como um dos meus professores faltou, resolvi ir à sala do lado experimentar Kizomba. Já há bastante tempo que andava curiosa.

 

A aula de Salsa onde eu ando, está às moscas. A Salsa deve ter saído de moda este ano mas a Kizomba está a bombar, principalmente ao nível de pares masculinos.

 

Começo por agradecer a paciência dos colegas, dado o ano já ir avançado e eu ter caído ali de para-quedas.

 

Contudo, não sei não mas acho que kizombar não me está no sangue.

 

Primeiro, a minha versão dominatrix que já tinha sido domesticada na Salsa, voltou a acordar e tive vários pares chateados de ser eu a conduzir a dança. É que os homens ficam mesmo sentidos com isto de não mandarem, levam a questão muito a peito.

 

Depois começaram a "embirrar" que eu levantava demasiado os pés.

Anda uma mulher a ter aulas de ballet não sei quantos anos e a tentar ter passadas elegantes na Salsa para chegar ali e ouvir o conselho: "Se arrastares os pés é melhor". Eu parei e olhei para o gajo com ar: "WTF?! Arrastar os pés?! Isso é um bocado idoso, não?"

 

Em seguida apanhas um colega mais experiente e paciente que te diz: "Olha, o melhor para entrares no ritmo é ficarmos os dois aqui parados só a gingar" e tu pensas: "Meu! Tu até és giro e eu não me importo de ficar aqui a gingar contigo, seja lá o que isso for. Mas eu reparei na enorme e reluzente aliança que tens no dedo e aposto que se gingarmos muito, não tarda nada tenho a tua mulher atrás de mim com uma faca", isto enquanto manténs um sorriso amarelo no rosto e olhas para todos os lado a avaliar de onde poderá vir a facada.

 

Na continuação dei por mim a escutar a letra de uma ou outra música e a pensar: "Porra. Isto a nível de letras é equivalente a música pimba".

 

Confesso que saí de lá com a sensação que aquilo é demasiado meloso para mim. Muito, "Ohhhh baby te amo". Muito, "Agora (afinal) não me toca, você partiu meu coração".

 

Pontos positivos da Kizomba, as aulas estão ao rubro e estão lá gajos giros com quem soube bem tentar dançar.

 

Pontos positivos da Salsa, a aula está às moscas o que faz com que tenha praticamente aulas particulares. E como o professor à falta de pares masculinos entra na dança, nada como aprender diretamente com um profissional.

 

Possivelmente volto a experimentar Kizomba, num dos workshops que a escola promove, só para o tira teimas.

 

Mas sem dúvida que o meu espírito é muito mais salseiro. Acho que a Salsa é um ritmo mais alegre, muito mais compatível com a minha personalidade.

 

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Da Dança E Da Capacidade de Se Entregar

Com muitos intervalos lá pelo meio, já devo ter praticado dança durante uns 15 anos bem contados.

 

Durante este tempo tenho dançado quase sempre modalidades que se praticam de forma individual.

 

Há 10 anos fiz uma incursão pelo Tango que só durou 3 aulas e vi o quão difícil era dançar a par, porque como eu já desconfiava sabia, não sou mulher para me deixar conduzir. O par puxava-me para um lado mas eu queria ir para o outro, não resultava. Como o prof era um argentino de sangue quente, aquilo acabava com ele bastante mal disposto com o meu desempenho e comigo bastante frustrada.

 

Este ano lectivo voltei à dança a par. E qual não foi o meu espanto quando meti conversa com colegas minhas e percebi que se queixavam do mesmo.

Afinal o problema não é só meu. Aquelas com quem falei também me confessaram que têm problemas em deixar ir pois também querem controlar tudo.

 

Sempre quis ser bastante controladora da minha vida e defensora das minhas ideias e ideais. Isto aliado às "chapadas" que levei sempre que dei confiança a mais e resolvi entregar-me aos outros ou mesmo à vida, levou a que me tornasse numa pessoa bastante defensiva e fechada, com poucas características para dançar a par e deixar-me levar por desconhecidos.

 

Desta vez não desisti e agora que as coisas começam a aquecer, ou seja, a dança começa a complicar é que as minhas "fragilidades" se começam a notar. O grande problema é relaxar ao ponto de me deixar ir.

 

Mas no meio da última aula com a complicação dos movimentos, com os incentivos de quem não desistiu de mim, com as constantes indicações de "relaxa", que remédio tive se não abandonar-me. E por segundos, porque quando troquei de par a magia esfumou-se e acordei, finalmente senti e percebi a simplicidade e a beleza do "deixa andar", neste caso do "deixa dançar".

 

É. A Dança é como a vida. Às vezes é preciso voltar a confiar, abandonar, e consentir ser novamente guiada.

 

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Da Dança - Testemunho

Faz agora um ano que mudei para regime de livre-trânsito na escola de dança. Tinha entrado em Setembro só para flamenco e dança oriental, depois tive vontade de voltar para as Sevilhanas em Outubro mas o bichinho do ballet nunca deixou de me morder sempre que passava em frente à aula.

 

Fazendo contas à vida o melhor era mesmo passar a ter livre-trânsito. Sendo eu uma mulher livre e desimpedida nada melhor do que passar o final do dia a dançar em vez de estar frente à televisão ou a olhar para o ecrã de um computador.

 

E o que ganhei eu com isso? Uma vida muito mais ativa, sem dúvida e sobretudo novas amizades, passei esta passagem de ano com pessoas que não conhecia de lado nenhum há um ano atrás e que agora sinto que já conheço desde sempre e um dia-a-dia muito mais divertido, o dia do espetáculo final da escola foi o dia mais mágico do ano de uma maneira que nem consigo explicar.

 

E isto porquê? Porque na realidade não vejo a dança como exercício, vejo como uma coisa que gosto de fazer de corpo e alma. Confesso que não tenho nenhuma força de vontade, às vezes tento fazer coisas que devia fazer mas no fundo não me tocam cá dentro e depressa me esqueço.

Se as coisas não estão em sintonia comigo não há volta a dar.

 

Aguentei-me dois períodos de 3 anos num ginásio, só porque tinha aulas de dança e piscina mas quando a oferta a nível da dança diminuiu as faltas começaram a ser muitas. E durante esse tempo nunca conheci ninguém.

 

Mas depois há sítios assim como esta escola de dança, onde nos sentimos em casa, onde fazemos amigos, onde até aqueles que nunca vão passar só de conhecidos nos despertam sorrisos verdadeiros quando aparecem.

 

Amizades, risos, algumas lágrimas de emoção, pequenas grandes conquistas, bastante mas completamente dispensável stress antes dos espetáculos, centenas de horas a dançar e dezenas de horas de convívio com colegas fora da escola é o balanço destes 15 meses de regresso à dança.

 

Por isso se ainda andarem naquela coisa de resoluções de ano novo, acho que só uma coisa que vos fale mesmo ao coração é que vale a pena.

 

E sim, invistam nela porque nunca é tarde demais. Se aos 42 aguento cerca de 12 horas de dança por semana vocês também conseguem tudo que acharem que já é tarde demais.

 

Feliz Dia de Reis.

 

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