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De Repente Já Nos...40!!!

O Lado B da Vida

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O Lado B da Vida

Coisas Que Me Dizem #8

Banda sonora inicial: Passarinhos a chilrear

 

Ia eu no outro dia na rua com a minha avó quando passa uma senhora que me conhece desde sempre.

 

Nós - Olá...(beijinho...beijinho). Tudo bem?

 

Ela - Tudo bem...blá, blá, blá. Ai que bonito, duas gerações a passear.

 

Nós  - Viemos agora das compras...blá, blá, blá. Então adeus e até logo.

 

Ela - Até logo

 

Viramos costas e...

 

Banda sonora a partir daqui: Música do filme tubarão

 

Ela (a pensar, era só que faltava continuarem na vossa vidinha tão felizes e animadas) - E já agora Aninhas veja lá se fecha a boca (e faz o gesto de ).

 

E a anjinha aqui a pensar rápidamente em tudo o que tinha dito nos últimos tempos, a ver se tinha dito algo que pudesse ter melindrado a senhora, sem descortinar nada.

 

Pausa de cena para contexto:

 

Sim, a senhora estava simplesmente a chamar-me de gorda mas eu que ando sempre a pé, faço duas horas de dança ou pilates por dia, tenho uma alimentação quase exclusivamente macrobiótica, sempre tive um peso "normal", não tenho espírito de me importar, achar gorda ou ter alguma peso na consciência. Por isso não atingi.

Embora sim, com a idade (e as cervejas) fui ganhando alguns quilos que não tinha anteriormente e que se devem notar.

 

Não atingindo a dentada (só para ficar bem com a banda sonora do tubarão), perguntei a medo:

 

Eu - Mas disse alguma coisa que não devesse ter dito?

 

Pausa para contexto

 

A dentada não foi sentida porque a carapuça não serviu e agora como é que a senhora se vai desenvencilhar desta sem chamar-me gorda directamente?

 

Ela (arregalando os olhos) - Não é isso, não está a perceber. É que está cheia de curvas, parece a Marilyn Monroe.

 

E aqui que o meu cérebro entra em parafuso: "Espera, ela está a chamar-me gorda mas ao mesmo tempo está a dizer que tenho um corpo parecido com a Marilyn, isto é bom ou é mau?".

 

E ela continuava com aquilo:

 

Ela: Está parecida à Marilyn, está a perceber? Com muitas curvas mas veja lá se não passa daí.

 

E o meu cérebro continuava a fritar.

 

Conclusão

 

Quando entrámos no prédio eu e a minha avó desatámos a rir tanto mas tanto, principalmente com a minha inocência de pensar que tinha dito algo de errado e ainda estar preocupada com isso, que a minha avó terminou dizendo: "Ai que já tenho as cuecas todas molhadas".

 

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E a senhora como é? Bem a minha sobrinha afilhada ao ouvir o relato perguntou: "Então, mas se tu és gorda ela é o quê?!". Agora tirem as vossa conclusões.

 

Femina Pouco Erecta

No fim de semana, se calho a passar pelo centro da vila, vejo uma espécie estranha a dirgir-se em direção à igreja, a Femina pouco erecta.

 

A Femina pouco erecta pertence ao género humano feminino e apresenta problemas de locomoção devido ao facto de não conseguir endireitar os joelhos e de ter o centro de equilíbrio fora do eixo normal, com uma acentuada inclinação para a frente.

 

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O que me leva a questionar. Será mais elegante ter um salto um pouco mais baixo mas manter uma postura corporal elegante ou insistir em usar saltos demasiado altos e parecer que sofremos uma qualquer mutação repentina?

 

Afinal quem é que deve ser elegante, nós ou o sapato?

 

(Isto não é para todas, claro, há também aquela espécie rara que nos dá a entender que em vez de gatinhar deve ter aprendido logo a andar de salto, mas como disse, são raras).

À hora do Lanche - Há Bailarinas e Há Outras

Chega-se áquela altura da vida em que o metabolismo já não é mais o mesmo e nos apercebemos que será melhor começar a ter (ainda) um pouco mais de atenção ao que se come, se não daqui a pouco chegamos a um ponto em que é mais difícil o regresso a um peso normal.

 

Com isto em mente e também porque comecei a sentir que com menos peso vou aproveitar melhor a dança, resolvi diminuir a quantidade de alimentos ingeridos e ter atenção à tendência de "picar" fora das refeições.

 

Entrando num café perto da escola de dança à hora do lanche para beber um sumo natural de morango e comer um "bolo" salgado de legumes, vejo uma das professoras de dança a entrar. Fico logo com a curiosidade alerta. Sendo ela moça na casa dos vinte e muitos e com corpo de bailarina fiquei desejosa de ver o que ela comia.

 

E o que foi que ela pediu? Uma água com gás. E ali ficou a bebericar a sua água, durante longos minutos.

 

E eu pensei: Lanchar uma água com gás?! Nunca vou conseguir igualar isto .

 

Como é que esta gente consegue sobreviver? Se calhar não há volta a dar. Sou mesmo uma mulher de "alimento", sem estômago de bailarina .

O Poder Das Coisas Que Nos Dizem

Também há cicatrizes emocionais. Ok, eu sei que não é novidade mas falo da minha.

 

Sempre tive e tenho uma excelente auto-estima. Mas aquela situação que descrevi brevemente no post anterior, do namorado que gostava de ir atirando pequenas "setas" sobre o meu corpo por não estar nos padrões de beleza dele, sei que me marcou mais do que aquilo que quero admitir.

 

Se pergunto a pessoas chegadas se me acham gorda, todas olham para mim com um ar estranho e respondem: "Porque estás a perguntar isso? És completamente normal" (e nessa altura tinha ainda menos 5 kg).

 

Pela primeira vez no outro dia contei a duas amigas o porquê da pergunta e se raramente tenho pouca dificuldade em fazer confissões, desta vez as palavras custaram a sair, por vergonha. E elas ficaram chocadas com o que ouviram e com aquilo que hoje em dia penso.

 

Tenho boa auto-estima mas esta situação fez-me ainda valorizá-la mais e perceber o porquê de haver tantas mulheres e homens que sofrem de distúrbios alimentares. O poder das palavras dos outros em nós é forte.

 

Porque em mim, o meu amor-próprio manteve-se e impediu que eu entrasse numa qualquer espiral de auto-destruição contudo comecei a achar que os outros me vêem com olhos diferentes da beleza que vejo em mim. E na realidade tenho noção que hoje em dia fujo da possibilidade de relacionamentos com medo de ser novamente avaliada e magoada. 

 

Mas a questão não foi só o aspeto físico, foi o pouco apreço, a pouca reciprocidade, a indiferença que eu aceitava.

 

Por isso, tenham noção que a agressividade psicológica nos relacionamentos pode ser quase invisível mas poderá estar lá. Desvalorização, desrespeito, rejeição também não são amor.

 

Mas a culpa foi dele? Não, foi sobretudo minha por ter aceite a situação e por ainda hoje me sentir afetada. E assusta-me que por Amor as pessoas tolerem coisas intoleráveis.

 

A Parábola da Franja

Andei mais de um ano a aturar a cabeleireira a dizer-me que devia cortar o cabelo de modo a ter franja porque assim é que ficaria bem.

 

Como gosto de mudar e já não tinha franja à 16 anos, acabei por lhe fazer a vontade e confesso que gostei.

 

Agora passados alguns meses, por causa do espetáculo final da professora de flamenco e sevilhanas tirei a franja a custo de muito gel, laca e ganchos.

 

Posto isto, uma colega que praticamente só me conheceu de franja olhou para mim e disse: "Assim é que ficas mesmo bem".

 

E é tudo. Agora tirem o ensinamento que quiserem desta parábola .

Para mim é algo de género, as pessoas só gostam de vos ver da maneira que vocês não são.

 

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Há Gajas e Gajas

Há uns poucos anos atrás na empresa onde eu trabalhava, havia uma colega que foi "carinhosamente" (e invejosamente, diga-se a verdade) apelidada por mim de "Caga Creme".

 

E isto porquê? Era uma daquelas mulheres, altas, elegantes, sempre bem vestidas, com uma voz melodiosa e um cargo alto na empresa. Cheguei a apanhá-la duas ou três vezes na casa de banho onde ela ficava trancada longos minutos. A primeira vez que entrei a seguir a ela já ia preparada, pensando que aquela longa permanência na casa de banho, significasse que a mesma iria estar empestada com os odores característicos de tamanha espera.

Mas não...entrei, e a casa de banho cheirava maravilhosamente a algo parecido com creme corporal. E o mesmo da 2ª e da 3ª vez. Por isso cheguei à conclusão que aquela perfeita criatura, ao contrário das gajas normais, só poderia cagar (desculpem o termo) creme.

(Obviamente que só usei este "nome" com os colegas amigos chegados e mesmo assim fiquei cheia de remorsos porque a moça era super simpática e embora não me conhecesse de lado nenhum cumprimentava-me sempre bem).

 

Hoje em dia, passadas as semanas de ensaios, de suor, cansaço e nódoas negras, voltaram à escola de dança as aves raras que tinham desaparecido quando andávamos a trabalhar duro para o espetáculo final. Já nem me lembrava delas e confesso que me provocam um instinto animalesco de defesa de território.

Nós estamos todas rebentadas, cheias de calos, com olheiras até aos pés, despenteadas, com a roupa já bastante usada. Elas aparecem lindas, flutuantes, maquilhadas e com ar descansado nas aulas mais sensuais, com a roupita ainda nova e colada ao corpo.

E no final da aula, há quem sue que nem uma porca e há quem tenha apenas umas gotitas de suor a embelezar o corpo.

 

É. Há as mulheres perfeitas e há o meu grupo... as gajas que põem as casas de banho a cheirar mal, que têm olheiras, estão sempre desalinhadas, suam, ganham calos, não acertam com o risco do eyeliner, e por mais que dancem não perde a barriguinha e as coxas. 

 

Mas depois tento-me desculpar assim:

 

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Devo Ter Um Problema Metabólico...

...estranho, muito estranho.

 

No ano passado fui passar 3 dias numa espécie de "retiro" onde toda a comida era macrobiótica confecionada por pessoas magras. Nesses dias para além de só comer macro, ainda andei, nadei, dancei. Resultado vim de lá com 1 kg a mais que não voltei a perder.

 

Desde Janeiro faço cerca de 12 horas de dança todas as semanas, resultado ganhei 2 kg.

 

Há uns anos, com um desgosto amoroso perdi a vontade de cozinhar, alimentava-me em restaurantes a bitoques e alheiras com batatas-fritas, resultado, em pouco tempo perdi 5kg.

 

Juro que não entendo o meu metabolismo. Engordo com tudo o que é saudável.