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De Repente Já Nos...40!!!

O Lado B da Vida

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O Lado B da Vida

Femina Pouco Erecta

No fim de semana, se calho a passar pelo centro da vila, vejo uma espécie estranha a dirgir-se em direção à igreja, a Femina pouco erecta.

 

A Femina pouco erecta pertence ao género humano feminino e apresenta problemas de locomoção devido ao facto de não conseguir endireitar os joelhos e de ter o centro de equilíbrio fora do eixo normal, com uma acentuada inclinação para a frente.

 

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O que me leva a questionar. Será mais elegante ter um salto um pouco mais baixo mas manter uma postura corporal elegante ou insistir em usar saltos demasiado altos e parecer que sofremos uma qualquer mutação repentina?

 

Afinal quem é que deve ser elegante, nós ou o sapato?

 

(Isto não é para todas, claro, há também aquela espécie rara que nos dá a entender que em vez de gatinhar deve ter aprendido logo a andar de salto, mas como disse, são raras).

À hora do Lanche - Há Bailarinas e Há Outras

Chega-se áquela altura da vida em que o metabolismo já não é mais o mesmo e nos apercebemos que será melhor começar a ter (ainda) um pouco mais de atenção ao que se come, se não daqui a pouco chegamos a um ponto em que é mais difícil o regresso a um peso normal.

 

Com isto em mente e também porque comecei a sentir que com menos peso vou aproveitar melhor a dança, resolvi diminuir a quantidade de alimentos ingeridos e ter atenção à tendência de "picar" fora das refeições.

 

Entrando num café perto da escola de dança à hora do lanche para beber um sumo natural de morango e comer um "bolo" salgado de legumes, vejo uma das professoras de dança a entrar. Fico logo com a curiosidade alerta. Sendo ela moça na casa dos vinte e muitos e com corpo de bailarina fiquei desejosa de ver o que ela comia.

 

E o que foi que ela pediu? Uma água com gás. E ali ficou a bebericar a sua água, durante longos minutos.

 

E eu pensei: Lanchar uma água com gás?! Nunca vou conseguir igualar isto .

 

Como é que esta gente consegue sobreviver? Se calhar não há volta a dar. Sou mesmo uma mulher de "alimento", sem estômago de bailarina .

O Poder Das Coisas Que Nos Dizem

Também há cicatrizes emocionais. Ok, eu sei que não é novidade mas falo da minha.

 

Sempre tive e tenho uma excelente auto-estima. Mas aquela situação que descrevi brevemente no post anterior, do namorado que gostava de ir atirando pequenas "setas" sobre o meu corpo por não estar nos padrões de beleza dele, sei que me marcou mais do que aquilo que quero admitir.

 

Se pergunto a pessoas chegadas se me acham gorda, todas olham para mim com um ar estranho e respondem: "Porque estás a perguntar isso? És completamente normal" (e nessa altura tinha ainda menos 5 kg).

 

Pela primeira vez no outro dia contei a duas amigas o porquê da pergunta e se raramente tenho pouca dificuldade em fazer confissões, desta vez as palavras custaram a sair, por vergonha. E elas ficaram chocadas com o que ouviram e com aquilo que hoje em dia penso.

 

Tenho boa auto-estima mas esta situação fez-me ainda valorizá-la mais e perceber o porquê de haver tantas mulheres e homens que sofrem de distúrbios alimentares. O poder das palavras dos outros em nós é forte.

 

Porque em mim, o meu amor-próprio manteve-se e impediu que eu entrasse numa qualquer espiral de auto-destruição contudo comecei a achar que os outros me vêem com olhos diferentes da beleza que vejo em mim. E na realidade tenho noção que hoje em dia fujo da possibilidade de relacionamentos com medo de ser novamente avaliada e magoada. 

 

Mas a questão não foi só o aspeto físico, foi o pouco apreço, a pouca reciprocidade, a indiferença que eu aceitava.

 

Por isso, tenham noção que a agressividade psicológica nos relacionamentos pode ser quase invisível mas poderá estar lá. Desvalorização, desrespeito, rejeição também não são amor.

 

Mas a culpa foi dele? Não, foi sobretudo minha por ter aceite a situação e por ainda hoje me sentir afetada. E assusta-me que por Amor as pessoas tolerem coisas intoleráveis.

 

A Parábola da Franja

Andei mais de um ano a aturar a cabeleireira a dizer-me que devia cortar o cabelo de modo a ter franja porque assim é que ficaria bem.

 

Como gosto de mudar e já não tinha franja à 16 anos, acabei por lhe fazer a vontade e confesso que gostei.

 

Agora passados alguns meses, por causa do espetáculo final da professora de flamenco e sevilhanas tirei a franja a custo de muito gel, laca e ganchos.

 

Posto isto, uma colega que praticamente só me conheceu de franja olhou para mim e disse: "Assim é que ficas mesmo bem".

 

E é tudo. Agora tirem o ensinamento que quiserem desta parábola .

Para mim é algo de género, as pessoas só gostam de vos ver da maneira que vocês não são.

 

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Há Gajas e Gajas

Há uns poucos anos atrás na empresa onde eu trabalhava, havia uma colega que foi "carinhosamente" (e invejosamente, diga-se a verdade) apelidada por mim de "Caga Creme".

 

E isto porquê? Era uma daquelas mulheres, altas, elegantes, sempre bem vestidas, com uma voz melodiosa e um cargo alto na empresa. Cheguei a apanhá-la duas ou três vezes na casa de banho onde ela ficava trancada longos minutos. A primeira vez que entrei a seguir a ela já ia preparada, pensando que aquela longa permanência na casa de banho, significasse que a mesma iria estar empestada com os odores característicos de tamanha espera.

Mas não...entrei, e a casa de banho cheirava maravilhosamente a algo parecido com creme corporal. E o mesmo da 2ª e da 3ª vez. Por isso cheguei à conclusão que aquela perfeita criatura, ao contrário das gajas normais, só poderia cagar (desculpem o termo) creme.

(Obviamente que só usei este "nome" com os colegas amigos chegados e mesmo assim fiquei cheia de remorsos porque a moça era super simpática e embora não me conhecesse de lado nenhum cumprimentava-me sempre bem).

 

Hoje em dia, passadas as semanas de ensaios, de suor, cansaço e nódoas negras, voltaram à escola de dança as aves raras que tinham desaparecido quando andávamos a trabalhar duro para o espetáculo final. Já nem me lembrava delas e confesso que me provocam um instinto animalesco de defesa de território.

Nós estamos todas rebentadas, cheias de calos, com olheiras até aos pés, despenteadas, com a roupa já bastante usada. Elas aparecem lindas, flutuantes, maquilhadas e com ar descansado nas aulas mais sensuais, com a roupita ainda nova e colada ao corpo.

E no final da aula, há quem sue que nem uma porca e há quem tenha apenas umas gotitas de suor a embelezar o corpo.

 

É. Há as mulheres perfeitas e há o meu grupo... as gajas que põem as casas de banho a cheirar mal, que têm olheiras, estão sempre desalinhadas, suam, ganham calos, não acertam com o risco do eyeliner, e por mais que dancem não perde a barriguinha e as coxas. 

 

Mas depois tento-me desculpar assim:

 

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Devo Ter Um Problema Metabólico...

...estranho, muito estranho.

 

No ano passado fui passar 3 dias numa espécie de "retiro" onde toda a comida era macrobiótica confecionada por pessoas magras. Nesses dias para além de só comer macro, ainda andei, nadei, dancei. Resultado vim de lá com 1 kg a mais que não voltei a perder.

 

Desde Janeiro faço cerca de 12 horas de dança todas as semanas, resultado ganhei 2 kg.

 

Há uns anos, com um desgosto amoroso perdi a vontade de cozinhar, alimentava-me em restaurantes a bitoques e alheiras com batatas-fritas, resultado, em pouco tempo perdi 5kg.

 

Juro que não entendo o meu metabolismo. Engordo com tudo o que é saudável.

Drama Matinal

O telefone tocou cedo, estranhei. Era a minha sobrinha a chorar porque lhe tinha vido o período pela primeira vez.

 

Deu-me vontade de rir tanto drama e disse-lhe: "Agora tens que aguentar até aos 50".

 

Mas ela continuava tão comovida que quase chorei também.

 

Depois de tanta expectativa (quase todas as colegas já tinham) chorava a dizer: "Não gosto nada disto".

 

É. Ser mulher tem destas coisas chatas.