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De Repente Já Nos...40!!!

O Lado B da Vida

De Repente Já Nos...40!!!

O Lado B da Vida

Outras Noites

Sexta à noite. Santos. 23h20. Saída de um jantar de aniversário. A correr para apanhar o comboio. Chuva, frio. O pensamento no conforto da cama e dos gatos.

 

Por debaixo do guarda-chuva, é preciso desviar dos miúdos que enchem as ruas.

 

Os pensamentos vagueiam até outros tempos, quando tinha a idade deles.

 

Frequentámos a 24 de Julho, as  Docas, Santos, o Bairro Alto. Íamos mudando de sítio conforme as modas.

 

Turma de teatro, colegas da universidade, amigos, as primas das borgas, a malta do verão, os colegas do primeiro emprego. Havia sempre alguém com quem sair em bando.

 

As primeiras saídas, as borboletas na barriga dos primeiros amores, as confissões e os risos até às tantas.

 

Jonnhy Guitar, Charlie Shot, Vacas Loucas, Arroz Doce, Mezcal, Apollo XIII, Marão eram alguns dos bares de eleição entre tantos outros que já esqueci. Alguns eram escolhidos por nos darem pipocas e amendoins à borla.

 

Bebiamos Cubas Libres no início, para experimentar aquela nova liberdade. Depois passámos para as sangrias, shots, caipirinhas, vodkas de sabores, as bebidas míticas dos anos 90, Gold Strike, Pisang Ambon. E os Pontapés na Cona e shots de Orgasmo que pedíamos só para os risos tontos.

 

As primeiras bebedeiras que também foram as últimas porque aprendemos à custa das consequências.

 

Comiamos em tascas baratas. Bifinhos com cogumelos ou bacalhau com natas eram sempre as opções de jantares de grupo.

 

As rosas vendidas pelos indianos vinham parar às nossas mãos depois dos rapazes as regatearem.

 

As ruas eram nossas, ficar sentados nos passeios era tão natural como estar nos sofás de casa.

 

Tínhamos a vida e os sonhos todos pela frente. Nada estava planeado porque tínhamos confiança que tudo aconteceria naturalmente.

 

Depois corríamos para apanhar o último comboio que na altura era só às 2h30 ou aguentávamos até ao primeiro da manhã.

 

Sexta à noite, de volta ao presente, passo pelos miúdos. Não sei se tento encontrar ecos do meu antigo eu no meio deles, se acho que eles vieram ocupar as ruas que antes eram minhas ou se apenas me fazem sentir a nostalgia de uma vida passada.

 

Está chuva, frio e o comboio não tarda. Os meus bandos já se dispersaram pela vida. E eu agora só quero ir para casa.

 

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