Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

De Repente Já Nos...40!!!

O Lado B da Vida

De Repente Já Nos...40!!!

O Lado B da Vida

A Dura Realidade

Os vales de desconto refletem os nossos hábitos de consumo?

 

É que fiquei preocupada. Se assim for, para o Minipreço sou o cliché de uma quarentona que vive com gatos e emborca cerveja. 

 

Este mês os únicos cupões que recebi foram para cerveja Super Bock, cerveja Cristal, cerveja Carlsberg e comida de gato .

 

É oficial...sou um cliché.

 

IMG_5497.JPG

 

Ai e Tal Isso É Dor de Cotovelo

Podia ser mas não é.

 

Digo-vos que é mesmo, mesmo muito irritante quando no comboio me sento no banco da frente de um casal de miúdos pseudo-apaixonados hiperativos.

 

O cenário desta semana foi este: ele passou o tempo todo a dizer coisas parvas num tom de voz a imitar um fantoche e ela dava gritinhos histéricos enquanto dizia "pára João" (nome fictício).

Estiveram neste cenário 30 minutos sem parar. 30 minutos a ouvir um fantoche de um lado e umas 100 vezes, "pára João" de outro. 

Estive vai não vai para dizer também: "Pára João que até a mim já me estás a irritar".

 

Mas mesmo assim estes até eram animados. O pior de tudo é quando elas resolvem estar com a birra e eles a tentarem dar-lhes a volta.

 

Aqui a conversa vai alternando entre: "Oh Amor" (eles a tentarem dar a volta) e lavagem de roupa suja que começa no lado delas e que acaba por se estender tal como um pavio acesso para o lado dele.

 

A pior que me aconteceu foi num eléctrico. Ela sentada no banco de trás sozinha com a birra e ele sentado no mesmo banco onde eu estava, colado a mim enquanto discutiam.

Ele virado para trás discutia, gesticulava e eu a levar com aquilo tudo. 

 

Até sou muito educada e não gosto de malta asneirenta mas estava quase a começar a gritar: Fod***, car*** já que não se calam,  ao menos sentem-se ao lado um do outro que eu já não vos posso ouvir.

 

Juro que é cansativo levar com cenas de malta que não tem noção do sítio onde está, das figuras que fazem e que os outros têm de aturar.

Dúvidas Virtuais

Acho que está na altura de finalmente comprar um I..coiso ou algo do género.

 

Com o part-time, algum trabalho na minha área independente e as aulas de dança, o tempo para vir aos blogs tem sido quase nulo.

 

Sábado agendo dois ou três post para saírem durante a semana mas de resto não tenho tido tempo para leituras e comentários.

 

Como todos os dias ando quase 3 horas de transportes, um I...coiso dava-me jeito mas por outro lado gosto de aproveitar esse tempo para ler um livro, ver a paisagem, ver as pessoas que me rodeiam e não quero transformar-me numa pessoa sempre ligada ao virtual e desligada do real.

 

O que faço? compro um I...coiso? Um Phablet? Não queria gastar mais do que cento e tal euros. Mas se calhar não há nada de jeito a este preço.

 

E continuo só ligada em casa ou ligo-me na rua? Dúvidas.

 

Aos 40 É Isto Que Se Quer

Pelo menos, eu quero .

 

Quando no sábado resolvi passar por duas ou três lojas do centro comercial mais perto, para ver os saldos, fiquei agradavelmente surpreendida com este novo modelo de calças.

 

Tive que olhar algumas vezes para o expositor porque devido ao nome fiquei desconfiada se não seriam calças pré-mamã.

Mas não.

 

Minhas senhoras, aqui fica o modelo, Mom Fit (aposto que já todas conheciam menos eu que ando sempre distraida).

 

MTIwOTMwOTI2MTU3OTQ0NzIy.jpg

 

Cintura subida, rabo no lugar e devido ao tamanho não preciso de fazer bainha (obviamente que não as vou usar assim subidas agora no inverno).

 

As minhas são da Zara, em bordeaux e com o desconto ficaram em 8 euros.

 

Fiquei fã do modelo 

Lisboa Adormecida

Por vezes quando menos esperamos há aqueles momentos em que nada acontece mas que nos enchem de um prazer imenso. Senti isso na terça à noite, quando saindo de um trabalho na zona da Baixa me deu uma vontade imensa de ir a pé até ao comboio subindo o Chiado e descendo pela rua do Alecrim.

 

Deviam ser uma 21 horas mas resolvi não me importar com o horário do comboio e vaguear por esta Lisboa tão diferente do habitual. Não sei há quantos anos não via aquela zona tão despida de gente.

 

Os nova-iorquinos gabam-se que a sua cidade nunca dorme, a mim deu-me gosto sentir esta Lisboa finalmente ensonada após a loucura estival e a agitação natalícia.

 

Noite fria de Janeiro, começo da semana. As lojas fechadas, alguns resistentes nas esplanadas, possivelmente turistas para quem estas temperaturas frias mas positivas sabem a Verão.

 

E a estranheza que já vai fazendo parte da cidade. A um canto uns animados miúdos voluntários, acompanhados de um gigante e deslocado Pikachu, pediam para uma qualquer instituição, tentando aliciar a carteira de umas estrangeiras. Noutro canto um belo rapaz de olhar alucinado tocava e cantava perto de uma esplanada. O que murmurava parecia mais para sim, para aliviar os fantasmas da sua alma do que para os ouvidos que o rodeavam. 

 

Na Rua do Alecrim com a sua vista para a "Rua Rosa" o ambiente era de espera. Mesas postas, luzes acessas como o pulsar de uma cortesã à espera dos seus amantes que possivelmente já não chegariam naquela noite.

 

Lisboa estava assim com olhar semicerrado à espera do final da semana que se aproximava lentamente. E eu passei por ela em bicos dos pés para não a despertar.

 

IMG_5485.JPG

 

 

 

Adolescentes, Quarentonas e Conversas de Amor

Estava eu a jantar com a minha ex-cunhada e com as minhas duas sobrinhas mais velhas quando começo a contar uma pequena coisa à minha cunhada. Amor platónico, nada de especial aconteceu mas de brilho nos olhos e voz entusiasmada.

 

Eu tia solteira e descomprometida...Blá,blá, blá, sorrisinhos e etc e tal.

 

Cunhada divorciada e descomprometida...resposta cúmplice, sorrisinhos e blá,blá,blá

 

Sobrinha adolescente e comprometida - Vocês parecem loucas.

 

Eu tia solteira e descomprometida - Então porquê? Estamos a dizer alguma coisa de mal? Não é o mesmo tipo de conversa que tens com as tuas amigas?

 

Sobrinha adolescente e comprometida - Sim...mas vocês já não têm idade para isso .

 

E é isto. Nós achamos que as miúdas ainda são novas demais para estas andanças, elas acham que nós já somos velhas demais para estas andanças.

 

 

 

Valha-me Santo Honório

E porquê Santo Honório? Já explico.

 

Estou novamente a trabalhar (em part-time) na área do recrutamento, o que faz com que trabalhe com uma equipa de pessoas.

 

Acontece que uma dessas pessoas tem uma mãe que tem uma pastelaria, o que faz com que ela traga caixas de bolos para a malta, o que faz que só por simpatia não se possa recusar as ofertas e tenha que se fazer o sacrifício, o que faz que eu diga...valha-me Santo Honório, o chefe protetor dos pasteleiros e de quem tem que comer o seu trabalho.

 

A mensagem que recebemos na sexta à hora de almoço (eu e outro colega que também faz part-time e estava lá comigo) foi: "Não comam sobremesa porque acabaram de sair uns bolos do forno e eu vou já para aí".

 

Prevê-se um ano muito

 

Garfield_fat.jpg

 

Alma Celta

Quando era mais nova, era uma crente. Acreditava em almas gémeas, vidas passadas, seres encantados.

 

Hoje em dia passei para a fase, "não acredito em bruxas mas que as há, há". Ou seja, passei a ser uma descrente que até gostava que estas coisas existissem.

 

Mas acreditando ou não em vidas passadas a verdade é que desde há umas décadas para cá, sinto uma forte ligação com a Irlanda.

 

A única coisa estranha em criança, quando ainda não sentia esta ligação, é que tinha a certeza que se me pusessem uma harpa à frente ia saber tocar.

 

As paisagens a perder de vista, a religião antiga pagã baseada na natureza, a simpatia e a loucura saudável do povo irlandês, as lendas, a música e toda a cultura tocam-me cá dentro de uma forma inexplicável dado que nunca lá fui.

 

Ainda ontem a cena de um filme onde um homem cantava uma canção tradicional em gaélico, trouxe-me lágrimas ao olhos sem perceber uma única palavra.

 

Não sei se há ou não vidas passadas mas se sim, devo ter sido uma irlandesa de longos cabelos ruivos revoltos. Restam-me os olhos azuis, a pele branca, algumas sardas e o amor por este país. E o cabelo?...já o recuperei com ajuda de produtos quimicos .

 

E vocês, sentem alguma ligação inexplicável por alguma cultura?

 

harpa_irlandesa_folheto-p244006521675913469b2pv5_4

 

E o Resto Que Se Lixe

Ainda demorei a escrever este post, por falta de tempo, por falta de palavras, por não saber por onde começar.

 

Nasci no ano do 25 de Abril e cresci com todo o ambiente e entusiasmo pós estado novo.

Cresci numa família de esquerda, com um pai que combateu na guerra colonial e com uma mãe (mais tarde militante do partido socialista) que finalmente podiam falar abertamente de política, das atrocidades cometidas pelo anterior governo, pela PIDE, pela censura e do medo de antes não se poderem expressar livremente. E cresci a ouvir relatos do que era o país.

 

Lembro-me de seguir a eleição de Ramalho Eanes à presidência (possivelmente o 2º mandato) com receio, meti na minha cabeça de criança que se o senhor não fosse eleito e ganhasse o candidato de direita, voltaríamos ao terror que se vivia. E a minha mãe a rir e a dizer que as coisas já não seriam novamente assim.

 

Isto para contar que em 1986, com 12 anos vi-me envolvida na campanha eleitoral do Dr. Mário Soares, o Bochechas ou o Marocas como lhe chamávamos. Fartei-me de vender merchandising, canetas, fitas para os pulsos, autocolantes, porta-chaves, crachás, tudo a dizer "Soares é fixe", obviamente. Aquilo era a loucura total.

E quando finalmente Soares ganhou, entrei disparada na Universidade Lusíada (onde passava todos os dias a caminho da escola e que ouvia dizer ser povoada de alunos e professores adeptos de Freitas do Amaral) e num momento de puro entusiasmo gritei a plenos pulmões, do alto dos meus 12 anos: "VIVA O MÁRIO SOARES"  e saí dali a correr, seguida de olhares espantados e bocas abertas.

 

Passados uns meses os meus esforços foram compensados porque passeando numa visita de estudo pelos jardins do Palácio de Belém, o presidente que andava por ali a caminhar e a conversar com alguém, passou por nós, parou para nos cumprimentar e fez-me uma festa na cabeça ( e eu a avaliar que o melhor seria nunca mais lavar a cabeça ).

 

Nas presidenciais de 2006 cumpri o velho sonho de já ter idade para votar nele mas não voltei a comemorar a vitória.

 

Como todos os grandes que não podem agradar a todos e que como qualquer ser humano que faz escolhas acertadas e outras menos, nos últimos tempos o senhor parece que foi passando de bestial a besta. Culpado de Portugal ter entrado na CEE levando à crise dos últimos anos, culpado de afinal ter interesses na exploração dos países africanos e de desviar fundos com a sua instituição, entre outras acusações.

 

Isto porque em 42 anos, na minha modesta opinião, este país deixou de ter espírito revolucionário, deixou de ter espíritos apaixonados e passou a ser um país de acomodados, onde prolifera a má-língua.

Uma nação na qual as pessoas falam, falam, refilam, apontam o dedo e põem as culpas nos outros, porque é mais fácil criticar os outros dizendo que a culpa não é nossa do que arregaçar as mangas. Gente que critica mas não dá soluções e sobretudo já não tem tomates para criar uma verdadeira mudança.

Passa-se de governo PS para PSD e vice-versa e a grande forma de protesto é não se darem ao trabalho de sair de casa em dia de eleições, porque a abstenção está na moda. Mas abstençáo não é protesto, é comodidade. É preguiça de ir às urnas nem que seja para votar em branco.

 

Isto é conversa de quem levou uma lavagem cerebral de pais de esquerda? Não.

Nestes 24 anos em que exerço o meu direito de voto, já votei esquerda, já votei direita, já votei mais ao centro, já votei em branco, consoante o que acho mais correto nos programas eleitorais. E já finalizei uma licenciatura de História escolhendo como mentor de tese um ex-membro da PIDE.

 

Porque estes homens e mulheres, anónimos, ideologistas, políticos, capitães de Abril, aqueles que foram presos, torturados, exilados sem saber se podiam voltar ou mesmo mortos, aquilo que nos deram foi esta liberdade de escolher, de falar, de dizer e maldizer.

 

Por isso quanto a mim, declaro que ainda hoje acho...

 

"Soares é fixe e o resto que se lixe".

 

E se estão chateados façam como ele e lutem pelos vossos ideais apaixonadamente.

 

Resultado de imagem para "soares e fixe"

 

 

Pág. 1/2