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De Repente Já Nos...40!!!

O Lado B da Vida

De Repente Já Nos...40!!!

O Lado B da Vida

Ai Espírito Bairrista que Te Vais

Na quarta-feira ao sair de manhã da mercearia ao fundo da minha rua em passo de corrida, onde tinha entrado para comprar a Time Out para ler no comboio, deu-me vontade de escrever como era bom viver num sítio bairrista onde o dono do dito estabelecimento me trata por menina, a florista por minha querida, o senhor da adega apanha canas para os meus mini tomateiros e o cabeleireiro ser um sítio onde passo momentos muito divertidos de cusquices várias.

 

Até que ontem ao final da tarde, passado dia e meio de ter lá estado, entro na tal mercearia que já frequento há 15 anos e tenho lá dois indianos a olhar para mim. A dizer que é tudo muito barato, a fazerem-me preços por alto, a pedirem para eu levar o Nestum e o Cerelac e a informarem que quando venderem aquele stock todo passam a ter detergentes de um litro a 1 euro  (tenho medo de inalar tal coisa).

Tive a sensação de ter entrado na 5ª dimensão. Estava quase tudo igual tirando um móvel que foi mudado de sítio, dando logo uma maior dimensão, e o dono da loja e a mulher que foram trocados por dois homens.

 

Até me esqueci do que lá ia fazer. Não fosse a cabeleireira andar desconfiada que aquilo ia acontecer e já me ter falado nisso por alto há umas semanas, acho que saía dali disparada, direita à polícia fazer queixa que dois indianos tiram raptado o senhor Manuel.

 

E lá se vai o espírito bairrista aos poucos....

Dos Media e dos Restaurantes

Voltei ontem a um restaurante que me estava gravado no coração mas ao qual há anos não retornava. E assim que virei a esquina...o choque...o pacato e escondido estabelecimento tem à frente uma esplanada "a la Baixa de Lisboa" carregada de turistas.

 

Durante estes anos li vários comentários a ele na Time Out e o restaurante tem agora bem claras e por todo o lado, as referências dessa revista , do Tripadvisor e do Zomato.

 

Sentamos, pegamos no menu e segundo choque, todos os pratos estão agora marcados com dois dígitos.

 

Os empregados parecem meio perdidos. O serviço acaba por ser rápido mas as nossas imperiais são açambarcadas e bebidas pelos sedentos italianos da mesa do lado assim que chegam. Eles nem avisam que não era bem aquilo que tinham pedido.

 

E a refeição? O camarão grita "miolo de camarão acabado de sair de uma embalagem" e o frango transformou-se em periquito. O acompanhamento perdeu a originalidade gustativa que me fazia caminhar para lá, o tempero do resto continua bom mas não fica na memória.

 

Se por um lado acho que devo ficar feliz com o sucesso alheio por outro lado lá se foi o pequeno restaurante com o qual gostávamos de surpreender os amigos pela originalidade. 

 

E é isto que os media fazem, tornam tudo em restaurantes para turista ver e para português tirar foto para as redes sociais, arrancando-lhes aquilo que lhes dava tempero à alma.

 

Não saí com fome física mas também não saí com vontade de lá voltar.

 

Como diz a expressão: Nunca voltes aos sítios onde foste feliz

A Manhã de Uma Dona de Gatos

Dona de gatos precisa de se concentrar ao computador para adiantar trabalho. Dona de gatos sabe que nestes dias o melhor é ir para a biblioteca para estar mais focada.

 

Dona de gatos com preguiça de carregar montes de tralha rua acima, rua abaixo resolve ficar em casa. 

 

Dona de Gatos senta-se frente ao computador. Gata vem para cima dela.

 

Gato vê gata ao colo da dona, corre logo para lá e expulsa gata à patada para se instalar ele ao colo. 

 

Gata fica com ar escandalizado.

 

Dona de gatos precisa de se levantar para atender telefone e arranca gato colante do colo. Gata ao ver a dona de pé ao telefone começa a miar furiosamente pela casa toda. 

 

Dona de gatos volta a sentar-se. Gatos em cima da mesa começam à tareia para decidir quem vai para o colo dela.

 

Gato volta a ganhar. Gata vai para o canto com ar amuado, desgraçado e começa a impar.

 

Dona de gatos tem que se levantar novamente, arranca gato colante do colo outra vez. Gato farta-se e vai para o sofá.

 

Gata aproveita a deixa e quando a dona volta a sentar-se atira-se para cima dela.

 

Dona de gatos tenta escrever mas gata dá-lhe constantes marradinhas impossibilitando a escrita.

 

Dona de gatos começa a pensar sériamente em ir passar a tarde à biblioteca.

 

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Eu É (Menos) Bolos

Tendo seguido as duas deliciosas temporadas do Best Bakery Grã-Bretanha, não podia deixar de seguir a versão portuguesa.

 

O que me encantava no BB UK, era sobretudo toda a envolvência. Ao contrário do que aconteceu no nosso país, a Grã-Bretanha não virou costas à sua ruralidade, sabendo mantê-la ao mesmo tempo que a inovava. Para além dos bolos e pães apresentados, era uma delícia ver as paisagens, as simpáticas lojas, as terrinhas anglo-saxónicas e ficar a conhecer as suas tradições.

 

Se em Portugal até temos belas paisagens para mostrar, acho que o grande problema das nossas pastelarias é a uniformização. Na maior parte delas as cadeiras, mesas, montras e mesmo o tipo de bolos, não são muito originais como se tudo estivesse padronizado.

 

E o programa? Começando pela apresentadora. Se na maior parte das vezes, acho que apresentadores neste tipo de programas são completamente dispensáveis (o Masterchefe Austrália e o BB UK passam muito bem sem apresentadores), neste caso confesso que adoro a Ana Guiomar. Não a conhecia mas acho que é uma delícia. É cómica de uma forma natural, sem exageros e tem cara de quem gosta mesmo de bolos e não tem problemas de consciência com isso.

 

Os jurados estão bem, profissionais sérios que fazem críticas construtivas que devem ser aproveitadas pelas pastelarias se querem melhorar. Digo isto porque conheço o trabalho de duas que por ali passaram e a minha opinião enquanto consumidora é igualzinha à que foi transmitida pelos jurados.

 

Deixem-se por favor é das vitimazinhas. Todos nós temos histórias mais difíceis na nossa vida e na verdade isso nada tem a ver com a técnica de pastelaria. Por isso histórias supostamente comoventes para puxar a lágrimazinha ao canto do olho, são completamente dispensáveis. Já não há pachorra.

 

Posto isto fui fazer a prova dos nove, a uma pastelaria que me deixou com água na boca e que lançou muita polémica no Facebook com a sua vitória na região da Estremadura por ser supostamente francesa.

Para mim este é um programa sobre a melhor pastelaria de Portugal e não sobre a melhor pastelaria que faz bolos portugueses. Afinal a tão famosa bola-de-berlim tem mesmo a sua origem em Berlim e os mil-folhas e palmiers são técnicas francesas e era um enjoo se vivêssemos só de doces conventuais.

 

E aqui fui eu, não à "Pastelaria" mas ao seu quiosque no mercado da Ribeira. Minhas senhoras e meus senhores, a representante de Lisboa que passou à semi-final, a L`éclair.

 

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E a lambona aqui, para ficar bem na foto, escolheu um de baunilha e de caramelo. Mas a lambona aqui, não se dá muito bem com o sabor doce. E como se diz nos relacionamentos, "o problema não é teu, é meu" e na verdade a meio do éclair já eu estava completamente enjoada (mas aconteceu-me o mesmo na Magnum store).

 

A massa é fantástica, fui ao céu na primeira dentada, aquela plaquinha de chocolate e as duas de caramelo dão-lhe o famoso crocante tão procurado nos dias de hoje mas devia mesmo ter escolhido o de chocolat grand cru que esteve todo o tempo a chamar por mim, porque eu preciso de um toque de amargo para contrabalançar. Mas como tinha um aspeto mais banal e não ia ficar tão bem na foto, não o escolhi.

 

Posto isto, hei-de repetir, tenho que provar os macarrons e tenho uma grande curiosidade em provar os éclairs salgados que não havia no Mercado da Ribeira.

 

E sobretudo acredito na paixão e grande mestria do dono e do chefe pasteleiro que representaram a pastelaria no programa.

 

Por isso força L`éclair e não ligues às más línguas que aposto que já foram à loja lambuzar-se com as vossas delícias.

Da Noite das Bruxas Ao Dia Dos Finados

Sendo eu uma amante da cultura celta e da sua religião pagã não poderia deixar de vibrar com esta altura do ano.

 

Não, o Halloween não é uma festa comercial americana (embora eles aproveitem tudo para levar ao extremo a arte de "fazer" dinheiro), o Samhain (seu verdadeiro nome) é uma festa onde se celebra a morte e aqueles que já partiram. De origem anglo-saxónica, esta comemoração estava enraizada nos povos que colonizaram o continente norte-americano.

 

Mas os celtas fazem também parte da história da península ibérica, foram um dos povos que por cá se instalou e deixou as suas marcas. Para eles esta altura do ano, era a época em que a natureza morria após a abundância das colheitas do final do verão (de onde se destacam as abóboras, o legume mais abundante e típico do outono) dando de seguida início ao Ano Novo.

 

Nesta altura do ano, o portal entre os dois mundo abria-se, os mortos podiam visitar os familiares, era costume por-se mais um lugar à mesa para eles. Só que esta abertura dava também passagem a outros seres e demónios.

 

Com a instauração do cristianismo, esta festa pagã foi "disfarçada" com o Dia de Todos os Santos (1 de Novembro) e o Dia dos finados (2 de Novembro).

A maneira do cristianismo acabar com estas celebrações, tão populares entre o povo, não foi a de terminar com elas à força mas sim de as converter em festas cristãs.

 

O nosso costume do peditório do Pão-por-Deus a 1 de Novembro está associado ao antigo costume que se tinha de oferecer pão, bolos, vinho e outros alimentos aos defuntos. Se nos E.U.A, a véspera é uma orgia de doces e chocolates, no nosso país o tradicional é oferecer outro tipo de guloseimas, pão, broas, bolos, romãs e frutos secos (nozes, amêndoas, castanhas) que se colocam dentro de sacos de pano ou de retalhos.

 

Por isso desejo uma boa morte simbólica e renascimento a todos. Por aqui, as decorações foram feitas com duas semanas de antecedência. 

 

Mas antes de verem as fotos, deixo um especial agradecimento à querida Mula por ontem me ter ajudado na decoração aqui do Blog .

 

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A mesa de entrada. Do lado direito estão uns belos chocolatinhos que têm que durar duas semanas

 

 

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Este fantasminha já tem 27 anos. Comprei quando morava em Paris. Prega sustos ao pessoal porque está sempre caladinho até lhe tocarem. Faz barulhos fantasmagóricos e acende uma luz. Costuma vingar-se de mim quando me esqueço de o desligar e vou à casa de banho a meio da noite

 

 

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 Este candeeiro para velas também já tem uns aninhos e é uma das minhas peças preferidas

 

 

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O meu coven de bruxas e outros seres na varanda

 

 

 

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 A Maria estava a dormir e odiou a minha produção fotográfica. Teria mais peças do Dia das Bruxas se ela todos os anos não partisse pelo menos uma.

 

 

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O centro de mesa

 

 

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Outra das minhas peças preferidas

 

 

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 E mais um suporte para velas que adoro. Nem a casa-de-banho escapa

 

 

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 Conselho de bruxa: Aproveitem esta época para varrer da vossa vida tudo o que já não interessa.

 

O Que Interessa É a Viagem

Para a quantidade de livros que leio, acho que o espaço dedicado às minhas leituras neste blog tem sido mínimo.

 

Por isso aqui fica este nova rubrica dedicada às minhas leituras.

 

Aqui vou publicar as primeiras e as últimas frases dos livros que começo a ler, para vos aguçar a curiosidade de viajar neles, entre estas primeiras e últimas frases.

 

Título: Quatro Amigos

 

Autor: David Trueba

 

Brevíssima Sinopse: Quatro amigos deixando tudo para trás improvisam uma viagem por Espanha, sem destino, partindo rumo a uma liberdade e juventude perdidas, onde acabam por descobrir a verdade sobre cada um e uma importante lição de vida.

 

Outros Apontamento: Com a obra Saber Perder, este autor ganhou em 2008 o Prémio Nacional da Crítica do seu país. Há quem diga que essa é a sua obra prima, há quem diga que na realidade é este livro que vos apresento.

 

O Porquê de Ter Escolhido Esta Obra Para Ler: A Bertrand tem sempre um livro perto da caixa em promoção que nos tentam impingir enquanto pagamos outro e que nunca me tem interessado. Desta vez foi diferente. O entusiasmado colaborador da loja, falou com tanto alento sobre este livro que me aguçou a curiosidade. Mas também não era difícil, adoro livros cujos enredos sejam sobre personagens que partem em viagens sem destino onde para além de descobrir o mundo se descobrem a si.

 

O Princípio e o Fim:

 

Sempre desconfiei que a amizade é sobrevalorizada. Como os estudos universitários, a morte ou as pilas grandes. Nós, os seres humanos, elevamos certos tópicos às alturas para disfarçarmos a pouca importância das nossas vidas.

 

Ouvia o ruído do comboio no meio da furiosa tempestade de Verão, o galopar das rodas sobre as vias, esse som que quer sempre dizer qualquer coisa muito pessoal para cada pessoa que o ouve. Olhei para o Claudio e o Blas ao meu lado e compreendi em certa medida o que significava a amizade. Era uma presença que não evitava que me sentisse só, mas tornava a viagem mais suportável.

 

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 Como terá sido esta viagem? Eu fiquei curiosa. E vocês?

"Grande Prova Mediterrânica de Azeites e Vinhos do Alentejo" em Lisboa

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80 produtores

400 vinhos à prova

Azeites

Provas comentadas

Workshops

Conversas

 

A "Grande Prova Mediterrânica de Azeites e Vinhos do Alentejo" em Lisboa (no CCB), é para mim um dos mais esperados acontecimentos do ano.

 

Não sei há quantos anos se realiza, eu descobri este evento por acaso enquanto passeava no CCB há 2 anos e esta foi a 3ª a que assisti.

 

Tudo é gratuito, só tem que comprar um copo (3 euros) caso queira participar nas provas.

 

Este ano aproveitei ao máximo este evento. Ontem, assisti à Harmonização, um workshop de culinária de 2 horas, oferecido pelo restaurante da Herdade da Malhadinha Nova que tem como chefe consultor, Joachim Koerper. O workshop foi dado pelo chefe Bruno Antunes.

 

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Assistimos à elaboração de dois pratos que degustamos acompanhados pela prova comentada de um vinho em harmonização (as fotos não estão nada boas devido à pouca luz do espaço).

 

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 Bacalhau com a sua brandade, carabineiro da costa algarvia, alcachofras, azeite de chouriço e manjericão. Acompanhou um rosé seco da Herdade da Malhadinha

 

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Bochecha de porco preto preto DOP, xerém de amêijoas e legumes baby glaceados. Acompanhou um tinto de 2004, Monte da Penha

(prometo para a próxima não atacar o prato antes de tirar a foto mas cheirava tão bem que nem me lembrei)

 

 

E finalizamos em grande com esta brilhante sobremesa

 

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Créme brûlée de sericaia com gelado de canela e ameixa de Elvas. Acompanhou um Branco doce Tiago Cabaço 2011

 

Hoje o dia foi dedicado às conversas. Participei nos Vinhos de Talha, Brancos Para o Inverno e Alicante Bouschet. A primeira conversa, em especial foi muito interessante por estar presente um entendido conhecedor da história do vinho em Portugal.

 

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Para além disto tudo, temos sempre e também de forma gratuita uma banca dedicada à cozinha molecular com vinho e azeite, onde se pode experimentar gelado de vinho, uvas com pele de vinho, geleia de vinhos, azeitonas explosivas, azeite aromatizado, manteiga de azeite, sangria com fumo e gomas de azeite.

 

Um brinde a todos 

 

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Para o ano há mais.

 

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Bem-vindo Outono

Parece que desta vez ele chegou mesmo para ficar. Raramente vos dou música mas aqui fica uma que para mim retrata bem esta bela mas melancólica estação.

 

E caso entrem mesmo neste estado de alma outonal, comam umas castanhas e bebam uma jeropiga que isso passa.

 

Minhas senhoras e meus senhores, já com 10 aninhos...

 

 

Almodovar e Julieta

O fim de tarde de domingo foi passado no cinema. O filme, Julieta, de Almodovar.

 

Não tenho perfil para descrições à critico de cinema, limito-me a dizer que gostei bastante.

 

Se formos reflectir, a história em si, não tem nada de especial, apenas acontecimentos que poderiam ser reais e banais, confundindo-se com tantas histórias de vida. Mas a verdade é que Almodovar consegue manter-nos em suspense, atentos ao ecrã e enredados naquelas personagens.

 

Mais uma vez, um filme centrado nas mulheres, onde os homens são personagens secundários mas aparentemente catalisadores dos acontecimentos.

 

E a cor, sempre a cor. Se há coisa que me atrai nos filmes deste realizador é a presença da cor. Neste filme temos uma luta entre a frieza do azul e a paixão do vermelho e eu passei o filme obcecada pelo vermelho.

 

Almodovar de regresso num dos seus filmes mais dramáticos.

 

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