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De Repente Já Nos...40!!!

De Repente Já Nos...40!!!

Sem Olhos De Ver

 

Nunca lhe ocorreu que o maior azar da sua vida não foi não ter casado com Florence Lauducette, mas sim ter casado com o amor da sua vida e nunca se ter apercebido disso.

 

"O Casamenteiro de Périgord"

Julia Stuart

 

Pois é, não é só nos livros que acontece. Também na vida por vezes estamos tão obcecados com aquilo que perdemos que não sabemos dar valor ao que verdadeiramente temos.

Amor À Francesa

Chouchou tinha apenas 15 anos e andava no liceu de Amiens onde conheceu a professora de teatro de 39.

No ano letivo seguinte, escreveram em conjunto uma peça. E foi aí "petit à petit", como ela revelou, que tudo começou. A prof não resistiu à cultura e ao savoir faire do jovem e deixou-se encantar.

 

Mas, casada e com três filhos, assim que o Chouchou, agora com 17, se declara, ela com 41, diz que o melhor é ele afastar-se e ir para Paris terminar o liceu. Ele aceita o conselho mas diz-lhe, "Eu vou mas não pense que se livra de mim. Vou voltar e desposá-la".

 

O primeiro trimestre é recheado de telefonemas, passam horas e horas ao telefone e a professora por fim deixa cair todas as barreiras.

 

Com os 18 anos do Chouchou festejados, já nada os podia parar e a paixão vence finalmente embelezada pelo cenário de Paris.

 

Em Amiens, é o escândalo total. Uma chamada anónima alerta o liceu. Os desconhecidos e conhecidos não têm coragem de confrontar a professora mas os irmãos mais velhos tentam chamá-la à razão. Mas ela, quando decide algo, está decidido, não se deixa convencer do contrário e acaba por se divorciar.

 

Damos um salto no tempo até hoje. Estamos no dia 23 de Abril de 2017, agora é o Chouchou que já tem 39 anos e está a horas de saber se tem a França nas suas mãos.

 

Senhoras e Senhores apresento-vos Emmanuel e Brigitte Macron, casados à 10 anos e que hoje se podem tornar, respetivamente, Presidente e Primeira-Dama de França

 

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As Coisas Que Se Passam Mundo

Não vou entrar em detalhes sobre as polémicas e os acontecimentos desta semana.

 

Mas há tanta coisa escondida no mundo e tanta verdade mal contada que fico fora de mim.

 

Entre aquilo que realmente se passa e aquilo que nos querem fazer querer encontra-se um fosso do tamanho do mundo. 

 

Em nome do poder, em nome do dinheiro, não sei como é que há gente que consegue dormir descansada.

Porque Um Blog Também É (Muito) Isto

Escrevo e rescrevo.

 

Aciono o corretor (ou será que acciono?) e fico feliz quando ele me diz "não foram encontrados erros".

 

Leio e releio.

 

Apago.

 

Vou procurar palavras. Tiro dúvidas.

 

E volto a escrever.

 

E volto a ler.

 

Vejo o que me soa bem. 

 

E vejo aquilo que parece ainda melhor.

 

Gosto de imagens, metáforas, ironias e também de onomatopeias e anáforas.

 

Por vezes escrevo de forma crúa mas logo troco por eufemismos

 

Tento evitar os pleonasmos, os polissíndetos e as paronomásias. Parecem-me excessivas.

 

(Vá. Vão lá ver o significado das figuras que não conhecem porque também fiz o mesmo).

 

Ontem escrevi que "ia cair uma carga de água" mas depois resolvi que era melhor ser "o céu a abençoar-me" com ela.

 

Depois fiquei na dúvida se queria dançar ou banhar-me na chuva.

 

Porque um blog para mim também serve para isto. Dar atenção à nossa língua, aprender e tirar o melhor proveito dela.

Chuva, Preciso de Ti.

Tenho a sensação que por vezes sou muito influenciada pelo tempo. 

 

Ontem sai de casa ao final da tarde e senti o ar muito carregado, muito abafado. Parecia que o céu se estava a preparar para nos abençoar com água mas acabou por não chover.

 

E eu também ando assim desde ontem. A sentir-me carregada. Como se tivesse uma núvem cinzenta enorme a pairar sobre mim. Dormi mal, acordei de coração apertado.

 

Apetece-me água que me lave a alma, carregue para longe esta sensação e traga de novo leveza ao meu ser.

 

Apetece-me um banho de chuva.

 

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Redação: A Minha Avó

A minha avó tem 91 anos. A minha avó mora sozinha de 2ª a 6ª e neste dia os meus pais vão buscá-la para passar o fim de semana na casa deles.

 

A minha avó aos sábados costuma levantar-se antes das 8h, arranja-se e enfia-se na cozinha. Ajuda a minha mãe com o pequeno-almoço, em seguida faz uma panela de sopa para o jantar, depois passa para o almoço, lava a loiça do almoço e lava o chão. Só pelas 15h é que começa a mostrar sinais de cansaço.

 

Se apareço lá para almoçar e se me sento no sofá a dar festas ao gato e a minha mãe escapuliu da cozinha em pézinhos de lã, logo o radar dela é accionado: "Oh Ana não te importas de vir aqui provar?", "Oh Ana, onde é que anda a tua mãe?", "Oh Mariazinha (a minha mãe e filha dela) onde é que te enfiaste. Já fizeste aquilo?", "Já telefonaram ao vosso tio que faz hoje anos?", "Olhem a mesa. Já está na hora de pôr a mesa", "E a salada? Alguém tem que vir fazer a salada". 

 

Se calho a telefonar-lhe para casa durante a semana à hora de almoço, diz-me enquanto suspira: "Ah estou um bocadinho cansada. Já fiz uma panela de sopa, já lavei o chão de uma ponta à outra (a minha avó ainda é daquelas que acham que o chão só fica bem lavado de joelhos com um pano e um balde. Aspiradores e esfregonas nunca entraram no seu dicionário) e já lavei ali umas coisinhas (a máquina de lavar já entra no dicionário dela mas é só de ano a ano, normalmente "lavar umas coisinhas" significa sabão azul e branco e o lavatório da casa de banho ou a banheira).

Mas poça, não percebo porque é que estou assim tão cansada."

 

No outro dia passei por casa dela num dia da semana com as minhas sobrinhas e fui logo catada para limpar as partes mais altas dos armários e estantes onde ela não chega: "Eu até há pouco ainda subia ao escadote mas desta vez achei que era melhor pedir ao teu tio ou à tua mãe mas já que está aqui faz-me lá isso. Tiras a tralha toda e pões Pronto... isso é pouco. Põe mais produto. E limpa também à frente...não essa foto não estava aí...não...também não é aí..mais para a esquerda...não...um pouco mais para a frente...e essa chávena também não é assim...olha lá se fosses fazer as limpezas a casa de alguém tinhas que tomar atenção onde é que eram as coisas...." nisto já as minhas sobrinhas se rebolavam a rir e filmavam com o telemóvel.

 

Quando os almoços são cá em casa, organizo-me de forma a fazer tudo para elas terem um dia de descanso. Mas acabo com a minha avó atrás de mim de braços cruzados a rondar de um lado para o outro e a perguntar: "Não há mesmo nada para fazer?".

 

Das poucas vezes que tivemos a ideia de lhe dizer: "Porque é que não te sentas aqui no banco" a reação foi: "Sentada num banco?!  SENTADA NUM BANCO?!  isso era o que nós diziamos na minha terra aos velhinhos, vou-me lá sentar num banco".

 

Muitas vezes eu e a minha mãe temos que fugir dela para a outra parte da casa. No outro dia dizia eu à minha mãe: "Falam tanto de crianças hiperativas e a nós calhou-nos uma idosa hiperativa".

 

Será que temos que lhe dar Ritalina?

 

Fim da redação

 

(Final cómico. Para as mentes menos brincalhonas não pensem que quero mesmo drogar a minha avó).

 

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Riso de Circustância

Português que é português gosta de atirar bocas cómicas em filas públicas, com os "colegas" de fila ou com os operadores de caixa e depois começa a olhar para trás, para ver se tem público e se as pessoas mais próximas se estão a rir também.

 

Se estou num daqueles dias não, em que a simpatia ficou em casa e o mau feitio vence. Aqueles dias em que não me apetece fazer parte do espetáculo, faço uma cara estranha e começo a olhar para o alto ou para trás a fingir que não estava a prestar atenção.

 

Tarde demais, sou apanhada. Logo aí a energia muda e começam a olhar para mim como se fosse uma ave rara. Um bicho estranho. Se o animador de serviço foi o senhor da caixa, já sei que vou ser atendida de trombas.

 

Dá vontade de dizer: "Lamento mas estou no meu direito de estar sem vontade de vos acompanhar neste momento de riso de circunstância. Podiam ao menos ter apreciado o meu esforço de vos ignorar e continuarem felizes no vosso momento privado".

 

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