Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

De Repente Já Nos...40!!!

De Repente Já Nos...40!!!

Coisas Que Me Dizem #7

(Este episódio passou-se há poucas semanas e já pus muita gente a rir com ele. 

 

A minha prima que sabe da existência deste blog e acha que a minha vida é uma comédia de nonsense disse: "Tens que contar isso no blog", ao que eu respondi: "Não sei C., sabes, é um assunto que pode ser delicado para algumas pessoas e posso ser mal interpretada".

 

Mas pronto, aqui vai. Obviamente que pessoas portadoras de deficiência têm direito às suas opiniões e sentimentos como qualquer pessoa não portadora de deficiência mas...sendo eu mulher também tenho direito à minha sensibilidade feminina.

 

Depois desta introdução para ver se não me batem muito devido à conclusão, aqui vai o episódio.

 

Há alguns meses voltei ao teatro,onde tenho um colega com trissonomia 21. Numa destas semanas ficamos juntos numa improvisação a fazer de casal.

 

Fomos para um canto da sala preparar o exercício, combinamos o que iamos fazer, começamos a falar de outras coisas e ele volta-se para mim e diz:

 

Colega: Olha, posso ser sincero contigo?

 

Eu: Claro que sim.

 

Colega (apontando para uma colega na casa dos 20 que estava na outra ponta da sala): É que eu preferia ter ficado com ela a fazer a improvisação. É que ela é mais magra e mais gira do que tu. Já viste bem aquelas curvas?

 

Eu:  (a pensar: ele não me disse isto, pois não? )

 

Lamento mas no momento, o meu orgulho feminino pensou: "Porra, estou lixada, se já nem um homem com Síndrome de Down me quer (e era só a fingir) e prefere uma de 20, nunca na vida me vou casar. Isto só pode ser uma mensagem do universo. A minha capacidade de atração bateu no fundo, a minha vida amorosa terminou oficialmente".

 

 

Aquelas Coisas Que Só Me Irritam A Mim - A Balança do Continente e Gente Idiota

De vez enquanto tenho momentos de paragem cerebral principalmente se me sinto pressionada.

 

Raramente compro legumes e frutas em hipermercados, não estou habituada a mexer nas balanças e não percebo bem porque raio o Continente ainda utiliza o método de pesagem fora das caixas, o que leva clientes que se esqueceram de pesar a deixar lá mercadoria ou a porem a fila em espera enquanto vão pesar.

 

Cenário: Continente numa hora morta. Só 5 ou 6 pessoas na zona das frutas e legumes ainda a olharem para a oferta ou a servirem-se.

Todas as balanças vazias (umas seis pelo menos).

 

Contexto: Pego nas minhas coisas e dirijo-me a uma das seis balanças vazias. Nem três segundos depois, um homem cola-se a mim para pesar exactamente naquela balança. 

Relembro que as outras balanças estavam todas vazias. Confesso que fico logo stressada com malta que gosta de colar e fazer fila só porque sim.

 

Acção: Pego no saco das limas e fico feliz porque desta vez lembrei-me de ver o código. Sinto o homem a colocar-se atrás de mim e tenho logo vontade de olhar para trás e perguntar se ele não reparou que as outras balanças estavam todas vazias.

 

Começo a digitar o código das limas e nada aparece no ecrã. Começo a pensar: "Nunca sei mexer nesta treta". Tento novamente o código e nada, sinto os olhos do homem pregados naquilo que estou a fazer.

Fico a pensar: "Isto deve ter um truque, está ali um quadradinho no ecrã onde deve aparecer o código, se calhar tenho que tocar lá antes". "Ahhhhh, hummmm, não funciona, também não é assim".

Continuo a sentir os olhos do homem colados em mim e eu cada vez com mais vontade de lhe perguntar: " Oh Caramelo, importasse de ir para outra balança? Não está a ver que estão todas vazias?"

 

Vejo então lá dois quadrados que dizem: "fruta" e "legumes" e resolvo ir pelo nome, "limas". Escolho o quadrado das frutas e começo a tocar naquilo rapidamente indo parar aos maracujás.

Então ponho-me a pensar: "L, L, no abecedário está perto do M, mas é antes ou depois?" (não se esqueçam que o meu cérebro entra em parafuso em caso de pressão). E lá vai de começar a desfilar mentalmente o abecedário à velocidade da luz: "A, b, c, d, e, f, g, h, i, j, k, l, ok porra, é antes do M, já andei demais, agora é que o homem tem a certeza que eu sou burra, mas porque raio é que ele não vai para outra balança? ".

 

O homem entretanto começa a mexer-se impaciente, a passar o peso do corpo de um pé para o outro mas não descola.

 

Pego em seguida no abacate: "Abacate, abacate, é um fruto, certo, logo é a mesma tecla. Mas 'pera, isto é super verde e usa-se sobretudo nas saladas salgadas, será que não está nos legumes? Vou outra vez dar ar de tonta. Não, é um fruto de certeza, desta vou acertar à primeira"

BINGO, é um fruto e é a primeira opção.

 

O homem entretanto já tinha dado meia volta para ir embora mas ao ver-me finalmente despachada volta para a balança.

 

Vá lá que não tinha levado também tomates, se não era outro caso existencial, fruta ou legume? E o T, está tão longeeee no abecedário. 

 

 

Por Falar Noutra Coisa - Adoro os Globos de Ouro

Na realidade nunca os vi, o que me entusiasma verdadeiramente é o dia pós-Globos de Ouro devido a esta crónica.

 

Se acharem piada não se esqueçam de procurar as dos anos anteriores, são umas pérolas tais que o autor já foi ameaçado de ser processado.

 

E falando tecnicamente, se já tivesse idade para sofrer de incontinência possívelmente urinava-me a rir com isto .

 

Deixo aqui um cheirinho, é só para terem uma ideia.

 

21052017-P1400169.jpg

 "Quando queres ser badboy, mas a tua mãe só te deixa fazer tatuagens do Bolicao. A cara faz-me lembrar um hamster que que eu tinha que guardava as sementes nas bochecas ou o meu irmão que teve uma fase que não engolia saliva e a acumulava e depois ia cuspir à casa de banho."

Guilherme Duarte em Blog "Por Falar Noutra Coisa"

 

 

Femina Pouco Erecta

No fim de semana, se calho a passar pelo centro da vila, vejo uma espécie estranha a dirgir-se em direção à igreja, a Femina pouco erecta.

 

A Femina pouco erecta pertence ao género humano feminino e apresenta problemas de locomoção devido ao facto de não conseguir endireitar os joelhos e de ter o centro de equilíbrio fora do eixo normal, com uma acentuada inclinação para a frente.

 

transferir.jpg

O que me leva a questionar. Será mais elegante ter um salto um pouco mais baixo mas manter uma postura corporal elegante ou insistir em usar saltos demasiado altos e parecer que sofremos uma qualquer mutação repentina?

 

Afinal quem é que deve ser elegante, nós ou o sapato?

 

(Isto não é para todas, claro, há também aquela espécie rara que nos dá a entender que em vez de gatinhar deve ter aprendido logo a andar de salto, mas como disse, são raras).

Sou Mágica

Fiz um belo truque de magia ontem. Guardei o casaco e a mala com dinheiro, as chaves de casa e o telemóvel no cacifo da escola de dança e fechei tudo com o cadeado. 

 

Tcharammmmm....e onde está a magia? É que o cadeado ficou cá fora a fechar tudo mas a chave para o abrir ficou lá dentro juntamente com as de casa.

 

Fiquei vestida de sevilhana com topzinho de alças numa noite ventosa, sem dinheiro e sem chaves para entrar em casa.

 

Quem é esperta, quem é? Eu sabia que um dia ia fazer isto. (Devia ter comprado um daqueles cadeados com combinação numérica).

Eu Ainda Sou Do Tempo

É que sou mesmo, não estou a falar do passado. 

 

E ainda sou do tempo do quê? Como diziam os "Rio Grande": "Cá chegou direitinha a encomenda, pelo expresso que parou na Piedade". Ainda sou do tempo em que os meus avós, gente de Lamego, recebiam encomendas lá da terra.

 

Maçãs, chouriças, moiras, salpicão que transformavam o cheiro da casa dos meus avós. A casa de jantar onde se arrumavam as caixas ficava a cheirar a maçãs e toda a casa ganhava o cheiro fumado dos enchidos. 

Deviamos receber outras frutas da época mas nenhuma perfumava tanto a casa como as maçãs.

 

Depois, também chegavam,  batatas, couves e os nossos preferidos as célebres Bolas de Lamego (de fiambre, vinha d'alhos, bacalhau e sardinha), biscoito da Teixeira e Bolo Podre (pão de azeite).

 

Com a morte da minha bisavó estes carregamentos que se iam buscar à carreira (como se chamam às camionetas naquela zona) terminaram mas há sempre família que vem cá abaixo e não se esquece de nós.

Isto para dizer e falando em fruta da época que esta semana chegaram à casa da minha avó, diretamente das cerdeiras (e aqui fica mais um termo do norte) do meu tio-avô que aos 84 anos ainda trata de vários hectares de terreno, 20 kilos de:

 

 

IMG_6512.JPG