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De Repente Já Nos...40!!!

De Repente Já Nos...40!!!

Got No Talent

Já tenho seguido alguns concursos de talentos mas sempre odiei ver aqueles em que o júri aproveita para se vingar de todas as frustrações da sua vida deitando os concorrentes abaixo. Também nunca tive paciência para o "Got Talent" pelo formato.

 

Contudo para dar uma oportunidade, segui por alto o último programa Got Talent Portugal (não me perguntem quem ganhou porque já esqueci) e comecei também a ver alguns concorrentes desta edição.

 

E percebi...que estou farta de talentos a sério.

 

Dei por mim a vibrar com alguns concorrentes aparentemente mesmo maus. É que eles parecem tão maus que acabam por ser excelentes de maus. São pessoas que não tem talento específico mas vibram com o que fazem. O Pedro Tochas vibra com eles, o público delira com aquilo tudo e eu riu-me que nem uma perdida, não deles mas com eles e fico desejosa que eles passem para assistir aquilo outra vez (obviamente que só o Pedro Tochas os passa e eles ficam pelo caminho).

 

E não falo de desafinados ou pessoas que ainda precisem de aulas para melhorar. Estou a falar mesmo de ideias mirambolantes.

 

Em canais cheios de programas de talento, um Got No Talent é que era. Só punha o Pedro Tochas e o Nuno Markl no júri de forma a descobrirem o mais louco entusiasta de Portugal.

 

Para mim o Tochas e o Markl, são os verdadeiros artistas de comédia deste país, os únicos que me fazem rir, porque o seu talento vem de serem simplesmente eles próprios e de assumirem com graça aquilo que são. Eles têm ainda a sensibilidade de compreender pessoas diferentes da pseudo-normalidade.

 

E este mundo está a precisar de uma boa dose de loucura saudável...de pessoas que tenham coragem de assumir o que realmente lhes apetece fazer mesmo que mais ninguém os compreenda.

 

E se não perceberam nada do que eu quis dizer, não se preocupem que eu também não bato bem.

Outras Noites

Sexta à noite. Santos. 23h20. Saída de um jantar de aniversário. A correr para apanhar o comboio. Chuva, frio. O pensamento no conforto da cama e dos gatos.

 

Por debaixo do guarda-chuva, é preciso desviar dos miúdos que enchem as ruas.

 

Os pensamentos vagueiam até outros tempos, quando tinha a idade deles.

 

Frequentámos a 24 de Julho, as  Docas, Santos, o Bairro Alto. Íamos mudando de sítio conforme as modas.

 

Turma de teatro, colegas da universidade, amigos, as primas das borgas, a malta do verão, os colegas do primeiro emprego. Havia sempre alguém com quem sair em bando.

 

As primeiras saídas, as borboletas na barriga dos primeiros amores, as confissões e os risos até às tantas.

 

Jonnhy Guitar, Charlie Shot, Vacas Loucas, Arroz Doce, Mezcal, Apollo XIII, Marão eram alguns dos bares de eleição entre tantos outros que já esqueci. Alguns eram escolhidos por nos darem pipocas e amendoins à borla.

 

Bebiamos Cubas Libres no início, para experimentar aquela nova liberdade. Depois passámos para as sangrias, shots, caipirinhas, vodkas de sabores, as bebidas míticas dos anos 90, Gold Strike, Pisang Ambon. E os Pontapés na Cona e shots de Orgasmo que pedíamos só para os risos tontos.

 

As primeiras bebedeiras que também foram as últimas porque aprendemos à custa das consequências.

 

Comiamos em tascas baratas. Bifinhos com cogumelos ou bacalhau com natas eram sempre as opções de jantares de grupo.

 

As rosas vendidas pelos indianos vinham parar às nossas mãos depois dos rapazes as regatearem.

 

As ruas eram nossas, ficar sentados nos passeios era tão natural como estar nos sofás de casa.

 

Tínhamos a vida e os sonhos todos pela frente. Nada estava planeado porque tínhamos confiança que tudo aconteceria naturalmente.

 

Depois corríamos para apanhar o último comboio que na altura era só às 2h30 ou aguentávamos até ao primeiro da manhã.

 

Sexta à noite, de volta ao presente, passo pelos miúdos. Não sei se tento encontrar ecos do meu antigo eu no meio deles, se acho que eles vieram ocupar as ruas que antes eram minhas ou se apenas me fazem sentir a nostalgia de uma vida passada.

 

Está chuva, frio e o comboio não tarda. Os meus bandos já se dispersaram pela vida. E eu agora só quero ir para casa.

 

Esta Sexta É Dia de Gatos

Já que hoje a Maria teve direito a montagem fotográfica no Clube de Gatos do Sapo devido à sua paranóia com a água, deixo também aqui as paranóias do Indy só para não haver ciúmes.

 

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Já usada ou acabada de lavar, em cima da roupa da dona é que se está bem.

 

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 E se a Maria é apanhada a beber em posições estranhas, o Indy por sua vez é apanhado a dormir em posições também...peculiares.

 

Vá, aproveitem o fim de semana chuvoso para umas boas sonecas também.

Descubram o Bicho Escondido Com Qualquer Coisa de Fora

Andava eu no outro dia, muito descansada a passear na avenida que liga o centro de Cascais ao Guincho e a tirar fotos à paisagem quando vejo um animal que me entusiasmou e que não esperava ver por aquelas bandas tão marítimas.

 

O bicho é que não ficou lá muito animado de me ver e afastou-se, mas a curiosidade foi mais forte e ficou parado de olho em mim.

 

E o raio do bicho camuflava-se bem na paisagem.

 

Conseguem vê-lo? Que animal é que me fez gritar de satisfação?

 

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Grandes Desculpas

Acho que o ser humano tem uma enorme capacidade de inventar desculpas para não ser feliz.

 

Às vezes as coisas estão mesmo ali a acenar-nos e nós fingimos que não as vemos ou arranjamos montes de argumentos para justificar que aquilo que parece óbvio não nos convém.

 

Eu pelo menos sou assim. Acho que estupidamente baseio a minha vida numa teoria semelhante à teoria dos ciclos económicos, 

 

1 - Auge 

2 - Recessão

3 - Depressão

4 - Recuperação

 

Por isso vou-me mantendo cada vez mais estagnada na fase 4, a recuperação, o mar calmo que tanto me custou a alcançar, com receio que uma curta fase 1, de onde se depreende felicidade, dê rapidamente lugar às fases dolorosas seguintes.

 

Acho que a grande desculpa da minha vida é: "Para quê voltar a esforçar-me quando já sei que não vai dar em nada".

 

Mas se calhar as coisas que não dão em nada são simplesmente porque não são as certas. Porque quando olhamos para trás, a uma certa distância, conseguimos ver as coisas com outros olhos.

 

Há que ter força para acabar com as más desculpas que regem a vida.

 

E vocês? Quais são as vossas desculpas para não serem realmente felizes?

 

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Da Dança E Da Capacidade de Se Entregar

Com muitos intervalos lá pelo meio, já devo ter praticado dança durante uns 15 anos bem contados.

 

Durante este tempo tenho dançado quase sempre modalidades que se praticam de forma individual.

 

Há 10 anos fiz uma incursão pelo Tango que só durou 3 aulas e vi o quão difícil era dançar a par, porque como eu já desconfiava sabia, não sou mulher para me deixar conduzir. O par puxava-me para um lado mas eu queria ir para o outro, não resultava. Como o prof era um argentino de sangue quente, aquilo acabava com ele bastante mal disposto com o meu desempenho e comigo bastante frustrada.

 

Este ano lectivo voltei à dança a par. E qual não foi o meu espanto quando meti conversa com colegas minhas e percebi que se queixavam do mesmo.

Afinal o problema não é só meu. Aquelas com quem falei também me confessaram que têm problemas em deixar ir pois também querem controlar tudo.

 

Sempre quis ser bastante controladora da minha vida e defensora das minhas ideias e ideais. Isto aliado às "chapadas" que levei sempre que dei confiança a mais e resolvi entregar-me aos outros ou mesmo à vida, levou a que me tornasse numa pessoa bastante defensiva e fechada, com poucas características para dançar a par e deixar-me levar por desconhecidos.

 

Desta vez não desisti e agora que as coisas começam a aquecer, ou seja, a dança começa a complicar é que as minhas "fragilidades" se começam a notar. O grande problema é relaxar ao ponto de me deixar ir.

 

Mas no meio da última aula com a complicação dos movimentos, com os incentivos de quem não desistiu de mim, com as constantes indicações de "relaxa", que remédio tive se não abandonar-me. E por segundos, porque quando troquei de par a magia esfumou-se e acordei, finalmente senti e percebi a simplicidade e a beleza do "deixa andar", neste caso do "deixa dançar".

 

É. A Dança é como a vida. Às vezes é preciso voltar a confiar, abandonar, e consentir ser novamente guiada.

 

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Há Gente e Sobretudo Imprensa Que os Alimenta Muito Triste

Portugal descobre um talento que andava escondido e o que é importante?

 

A musicalidade?

O disco fabuloso que saiu no ano passado?

A forma incrível como ele sente a música e aquilo que consegue fazer com ela?

O esforço que fez para estar no Festival cheio de dores depois de uma operação?

 

Não.

 

Neste país perfeito, em que somos todos perfeitos, cheios de talento, só vestimos grandes estilistas e em que nunca fizemos nenhuma parvoíce na juventude, o que interessa é que ele:

 

Consumiu drogas.

 

De certeza que tem uma doença grave.

 

Vai estragar a nossa média de vitórias no Festival da Eurovisão e envergonhar as excelentes composições que levamos nos anos anteriores.

 

Sabem o que eu digo? Em vez de perderem tempo a partilhar notícias rascas nas redes sociais de modo a destruir os outros, ide ouvir música pimba ali para um canto, gastem dinheiro e os vossos olhos com revistas rascas e sejam felizes à vossa maneirinha sem chatear os outros.

 

Uma coisa é não gostar, outra é denegrir.

 

E já agora este senhor aqui também tinha muitos tiques, não ligava muito à imagem e cantava músicas maravilhosas na sua simplicidade, como esta. 

 

 

 

 

Capacidade de Invisibilidade

Não gosto da vida pela metade.

 

Não gosto de namorados que querem ficar amigos, não gosto de amigos que deixam mensagens a dizer que nos adoram e estão cheios de saudades mas depois nunca estão disponíveis para encontros.

 

É nestes momentos que me torno invisível. Quando dão por isso já não estou.

 

Para mim é tudo preto no branco ou é ou não é. Não sei amar pela metade, não sei ser amiga pela metade.

 

Simplesmente não gosto de mentiras e não vivo de aparências.

 

Se como, como, se danço, danço, se amo, amo.

 

Se estou, estou por inteira, se querem metades, desapareço.