Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

De Repente Já Nos...40!!!

De Repente Já Nos...40!!!

Lisboa Adormecida

Por vezes quando menos esperamos há aqueles momentos em que nada acontece mas que nos enchem de um prazer imenso. Senti isso na terça à noite, quando saindo de um trabalho na zona da Baixa me deu uma vontade imensa de ir a pé até ao comboio subindo o Chiado e descendo pela rua do Alecrim.

 

Deviam ser uma 21 horas mas resolvi não me importar com o horário do comboio e vaguear por esta Lisboa tão diferente do habitual. Não sei há quantos anos não via aquela zona tão despida de gente.

 

Os nova-iorquinos gabam-se que a sua cidade nunca dorme, a mim deu-me gosto sentir esta Lisboa finalmente ensonada após a loucura estival e a agitação natalícia.

 

Noite fria de Janeiro, começo da semana. As lojas fechadas, alguns resistentes nas esplanadas, possivelmente turistas para quem estas temperaturas frias mas positivas sabem a Verão.

 

E a estranheza que já vai fazendo parte da cidade. A um canto uns animados miúdos voluntários, acompanhados de um gigante e deslocado Pikachu, pediam para uma qualquer instituição, tentando aliciar a carteira de umas estrangeiras. Noutro canto um belo rapaz de olhar alucinado tocava e cantava perto de uma esplanada. O que murmurava parecia mais para sim, para aliviar os fantasmas da sua alma do que para os ouvidos que o rodeavam. 

 

Na Rua do Alecrim com a sua vista para a "Rua Rosa" o ambiente era de espera. Mesas postas, luzes acessas como o pulsar de uma cortesã à espera dos seus amantes que possivelmente já não chegariam naquela noite.

 

Lisboa estava assim com olhar semicerrado à espera do final da semana que se aproximava lentamente. E eu passei por ela em bicos dos pés para não a despertar.

 

IMG_5485.JPG

 

 

 

Adolescentes, Quarentonas e Conversas de Amor

Estava eu a jantar com a minha ex-cunhada e com as minhas duas sobrinhas mais velhas quando começo a contar uma pequena coisa à minha cunhada. Amor platónico, nada de especial aconteceu mas de brilho nos olhos e voz entusiasmada.

 

Eu tia solteira e descomprometida...Blá,blá, blá, sorrisinhos e etc e tal.

 

Cunhada divorciada e descomprometida...resposta cúmplice, sorrisinhos e blá,blá,blá

 

Sobrinha adolescente e comprometida - Vocês parecem loucas.

 

Eu tia solteira e descomprometida - Então porquê? Estamos a dizer alguma coisa de mal? Não é o mesmo tipo de conversa que tens com as tuas amigas?

 

Sobrinha adolescente e comprometida - Sim...mas vocês já não têm idade para isso .

 

E é isto. Nós achamos que as miúdas ainda são novas demais para estas andanças, elas acham que nós já somos velhas demais para estas andanças.

 

 

 

Valha-me Santo Honório

E porquê Santo Honório? Já explico.

 

Estou novamente a trabalhar (em part-time) na área do recrutamento, o que faz com que trabalhe com uma equipa de pessoas.

 

Acontece que uma dessas pessoas tem uma mãe que tem uma pastelaria, o que faz com que ela traga caixas de bolos para a malta, o que faz que só por simpatia não se possa recusar as ofertas e tenha que se fazer o sacrifício, o que faz que eu diga...valha-me Santo Honório, o chefe protetor dos pasteleiros e de quem tem que comer o seu trabalho.

 

A mensagem que recebemos na sexta à hora de almoço (eu e outro colega que também faz part-time e estava lá comigo) foi: "Não comam sobremesa porque acabaram de sair uns bolos do forno e eu vou já para aí".

 

Prevê-se um ano muito

 

Garfield_fat.jpg

 

Alma Celta

Quando era mais nova, era uma crente. Acreditava em almas gémeas, vidas passadas, seres encantados.

 

Hoje em dia passei para a fase, "não acredito em bruxas mas que as há, há". Ou seja, passei a ser uma descrente que até gostava que estas coisas existissem.

 

Mas acreditando ou não em vidas passadas a verdade é que desde há umas décadas para cá, sinto uma forte ligação com a Irlanda.

 

A única coisa estranha em criança, quando ainda não sentia esta ligação, é que tinha a certeza que se me pusessem uma harpa à frente ia saber tocar.

 

As paisagens a perder de vista, a religião antiga pagã baseada na natureza, a simpatia e a loucura saudável do povo irlandês, as lendas, a música e toda a cultura tocam-me cá dentro de uma forma inexplicável dado que nunca lá fui.

 

Ainda ontem a cena de um filme onde um homem cantava uma canção tradicional em gaélico, trouxe-me lágrimas ao olhos sem perceber uma única palavra.

 

Não sei se há ou não vidas passadas mas se sim, devo ter sido uma irlandesa de longos cabelos ruivos revoltos. Restam-me os olhos azuis, a pele branca, algumas sardas e o amor por este país. E o cabelo?...já o recuperei com ajuda de produtos quimicos .

 

E vocês, sentem alguma ligação inexplicável por alguma cultura?

 

harpa_irlandesa_folheto-p244006521675913469b2pv5_4

 

E o Resto Que Se Lixe

Ainda demorei a escrever este post, por falta de tempo, por falta de palavras, por não saber por onde começar.

 

Nasci no ano do 25 de Abril e cresci com todo o ambiente e entusiasmo pós estado novo.

Cresci numa família de esquerda, com um pai que combateu na guerra colonial e com uma mãe (mais tarde militante do partido socialista) que finalmente podiam falar abertamente de política, das atrocidades cometidas pelo anterior governo, pela PIDE, pela censura e do medo de antes não se poderem expressar livremente. E cresci a ouvir relatos do que era o país.

 

Lembro-me de seguir a eleição de Ramalho Eanes à presidência (possivelmente o 2º mandato) com receio, meti na minha cabeça de criança que se o senhor não fosse eleito e ganhasse o candidato de direita, voltaríamos ao terror que se vivia. E a minha mãe a rir e a dizer que as coisas já não seriam novamente assim.

 

Isto para contar que em 1986, com 12 anos vi-me envolvida na campanha eleitoral do Dr. Mário Soares, o Bochechas ou o Marocas como lhe chamávamos. Fartei-me de vender merchandising, canetas, fitas para os pulsos, autocolantes, porta-chaves, crachás, tudo a dizer "Soares é fixe", obviamente. Aquilo era a loucura total.

E quando finalmente Soares ganhou, entrei disparada na Universidade Lusíada (onde passava todos os dias a caminho da escola e que ouvia dizer ser povoada de alunos e professores adeptos de Freitas do Amaral) e num momento de puro entusiasmo gritei a plenos pulmões, do alto dos meus 12 anos: "VIVA O MÁRIO SOARES"  e saí dali a correr, seguida de olhares espantados e bocas abertas.

 

Passados uns meses os meus esforços foram compensados porque passeando numa visita de estudo pelos jardins do Palácio de Belém, o presidente que andava por ali a caminhar e a conversar com alguém, passou por nós, parou para nos cumprimentar e fez-me uma festa na cabeça ( e eu a avaliar que o melhor seria nunca mais lavar a cabeça ).

 

Nas presidenciais de 2006 cumpri o velho sonho de já ter idade para votar nele mas não voltei a comemorar a vitória.

 

Como todos os grandes que não podem agradar a todos e que como qualquer ser humano que faz escolhas acertadas e outras menos, nos últimos tempos o senhor parece que foi passando de bestial a besta. Culpado de Portugal ter entrado na CEE levando à crise dos últimos anos, culpado de afinal ter interesses na exploração dos países africanos e de desviar fundos com a sua instituição, entre outras acusações.

 

Isto porque em 42 anos, na minha modesta opinião, este país deixou de ter espírito revolucionário, deixou de ter espíritos apaixonados e passou a ser um país de acomodados, onde prolifera a má-língua.

Uma nação na qual as pessoas falam, falam, refilam, apontam o dedo e põem as culpas nos outros, porque é mais fácil criticar os outros dizendo que a culpa não é nossa do que arregaçar as mangas. Gente que critica mas não dá soluções e sobretudo já não tem tomates para criar uma verdadeira mudança.

Passa-se de governo PS para PSD e vice-versa e a grande forma de protesto é não se darem ao trabalho de sair de casa em dia de eleições, porque a abstenção está na moda. Mas abstençáo não é protesto, é comodidade. É preguiça de ir às urnas nem que seja para votar em branco.

 

Isto é conversa de quem levou uma lavagem cerebral de pais de esquerda? Não.

Nestes 24 anos em que exerço o meu direito de voto, já votei esquerda, já votei direita, já votei mais ao centro, já votei em branco, consoante o que acho mais correto nos programas eleitorais. E já finalizei uma licenciatura de História escolhendo como mentor de tese um ex-membro da PIDE.

 

Porque estes homens e mulheres, anónimos, ideologistas, políticos, capitães de Abril, aqueles que foram presos, torturados, exilados sem saber se podiam voltar ou mesmo mortos, aquilo que nos deram foi esta liberdade de escolher, de falar, de dizer e maldizer.

 

Por isso quanto a mim, declaro que ainda hoje acho...

 

"Soares é fixe e o resto que se lixe".

 

E se estão chateados façam como ele e lutem pelos vossos ideais apaixonadamente.

 

Resultado de imagem para "soares e fixe"

 

 

Da Pseudo Existência do Amor

Tenho uma amiga (confesso que gosto sobretudo de a irritar) que ainda vê o amor como um conto de fadas e acha que ele serve sobretudo como salvação.

 

A frase que lhe disse neste domingo ao jantar foi:

 

                                 "O Amor não existe, é um mito urbano"

 

 

e prometi-lhe que ia postar esta frase aqui no blog (considere-se que me refiro ao amor romântico).

 

 

E pronto...espero que tenha conseguido escandalizar mais alguns crentes.

 

 

Resultado de imagem para coração partido

Da Dança - Testemunho

Faz agora um ano que mudei para regime de livre-trânsito na escola de dança. Tinha entrado em Setembro só para flamenco e dança oriental, depois tive vontade de voltar para as Sevilhanas em Outubro mas o bichinho do ballet nunca deixou de me morder sempre que passava em frente à aula.

 

Fazendo contas à vida o melhor era mesmo passar a ter livre-trânsito. Sendo eu uma mulher livre e desimpedida nada melhor do que passar o final do dia a dançar em vez de estar frente à televisão ou a olhar para o ecrã de um computador.

 

E o que ganhei eu com isso? Uma vida muito mais ativa, sem dúvida e sobretudo novas amizades, passei esta passagem de ano com pessoas que não conhecia de lado nenhum há um ano atrás e que agora sinto que já conheço desde sempre e um dia-a-dia muito mais divertido, o dia do espetáculo final da escola foi o dia mais mágico do ano de uma maneira que nem consigo explicar.

 

E isto porquê? Porque na realidade não vejo a dança como exercício, vejo como uma coisa que gosto de fazer de corpo e alma. Confesso que não tenho nenhuma força de vontade, às vezes tento fazer coisas que devia fazer mas no fundo não me tocam cá dentro e depressa me esqueço.

Se as coisas não estão em sintonia comigo não há volta a dar.

 

Aguentei-me dois períodos de 3 anos num ginásio, só porque tinha aulas de dança e piscina mas quando a oferta a nível da dança diminuiu as faltas começaram a ser muitas. E durante esse tempo nunca conheci ninguém.

 

Mas depois há sítios assim como esta escola de dança, onde nos sentimos em casa, onde fazemos amigos, onde até aqueles que nunca vão passar só de conhecidos nos despertam sorrisos verdadeiros quando aparecem.

 

Amizades, risos, algumas lágrimas de emoção, pequenas grandes conquistas, bastante mas completamente dispensável stress antes dos espetáculos, centenas de horas a dançar e dezenas de horas de convívio com colegas fora da escola é o balanço destes 15 meses de regresso à dança.

 

Por isso se ainda andarem naquela coisa de resoluções de ano novo, acho que só uma coisa que vos fale mesmo ao coração é que vale a pena.

 

E sim, invistam nela porque nunca é tarde demais. Se aos 42 aguento cerca de 12 horas de dança por semana vocês também conseguem tudo que acharem que já é tarde demais.

 

Feliz Dia de Reis.

 

ballet.jpg

 

Das Resoluções de Ano Novo e Da Primeira Semana

Estamos na primeira semana de Janeiro e assistimos ao impressionante fenómeno das salas de aulas de dança a abarrotar.

 

Já nos tinhamos livrados do entusiastas do mês de Setembro quando somos invadidos pelos crentes do mês de Janeiro.

 

Aposto que nos ginásios o cenário é semelhante, qualquer coisa parecida com uma greve no metro.

 

O que vale é que daqui a mês e meio, quando a malta já não se lembrar que fez resoluções, voltamos a ter espaço para respirar.

 

Transporte-Publico.jpg

Ainda o Aniversário

Muito obrigada pelas vossas palavras de ontem e muito obrigada à equipa do Sapo pela boa surpresa de terem destacado o meu post de aniversário.

 

Aproveito para me retractar, pois embora tenha falado do dinamismo desta plataforma, não agradeci diretamente à equipa do Sapo pelo excelente trabalho pois sem eles nada disto existia.

 

Destaque aniversário.jpg

 

 

 

Parabéns

É verdade que neste três anos nunca me lembrei de festejar o aniversário deste cantinho mas hoje não escapa.

 

Foi no dia 4 de Janeiro de 2014 que voltei a criar um blog, depois de abrir e fechar muitos lá pelo meio que não faziam sentido e de durante cerca de 3 anos (de 2007 a 2010 mais ou menos) ter tido um no blogspot. 

 

Quando descobri o Sapo fiquei encantada com o dinamismo desta plataforma e foi aqui que decidi instalar-me. O post de abertura foi este, estava a terminar a minha década dos 30 e estava cheia de saudades de ter um blog.

 

Três anos com post que me sairam do coração, outros menos inspirados e sobretudo de novas amizades.

 

612 post, quase 5900 comentários (metade devem ser meus em resposta às vossas belas palavras), 750 reações, estas todas da vossa parte, 14 destaques, um dos quais na página principal do Sapo e quase 170 pessoas que se deram ao trabalho de subscrever o meu blog (e se contarmos com a malta dos Blogs de Portugal o número é maior).

 

Por isso neste aniversário quero sobretudo agradecer a todos vocês com 3 beijinhos a cada um. Podiam ser mais mas é um por cada ano de blog. Pela amizade, pelo carinho, pelas palavras de incentivo quando estou mais em baixo, pelas palavras que me tocam ao coração quando estou mais melancólica e pelos sorrisos que conseguem dar com as parvoíces que escrevo.

 

E adoro olhar ali para a direita e reparar que já lá tenho representados 4 anos de presença aqui no blog com aqueles meses novinhos por preencher.

 

bannerniver.jpg